REVISTA LÍDER COACH N 13 - Janeiro - 2019 - Ano VI | Page 46
ÉTICA COACH
RONALDO BARBOSA
Enquanto conjunto de princípios orientadores das relações sociais em coletivo, Ética é o principal
elemento para qualquer organização baseada em um sistema de crenças simbólico-culturais que se
estabelece, por escalas de valor, e conduzem o comportamento individual - em seu tempo e espaço.
No entanto, a tal da ética é apenas uma palavra fria e calculista se não vier acompanhada de braços
dados com a moral. Sem moralidade, ética não tem valor na prática e, no mundo real, comportamento
ético é o que se espera do coach, que deve assumir uma postura responsável, com respeito e
confidencialidade, sem prometer resultados ou garanti-los, ou, no mínimo, recomendar novos
recursos e até outros profissionais quando necessário, mesmo durante o processo de coaching.
Já ouvi dizer em palestras por aí e até me senti seduzido por alguns anúncios que me levaram
a crer que a atividade coaching se tornou imprescindível à promoção do desenvolvimento
humano nas mais diversas áreas, indo da qualidade de vida aos relacionamentos, passando
por carreira, negócios, liderança entre outros benefícios à pele e à alma.
Diante disso e ainda sem o reconhecimento de fato e de direito da atividade coach como profissão
devidamente regulamentada no Brasil, muitos aproveitam a brecha para atuar livremente – com ou
sem formação adequada para desempenhar tal função. É como contratar um serviço de transporte (via
aplicativo) cujo condutor não tem habilitação para tal. O cliente se coloca nas mãos desse profissional
e nem sabe dos riscos que corre. Talvez o alerta não seja porque o coach atue hoje na clandestinidade
– o que legalmente não é a questão – mas mais em oferecer e cobrar por um serviço onde não
existam parâmetros uniformes reconhecidos e adotados coletivamente pela própria classe.
Se os amigos leitores me permitem, estou querendo aqui propor um congresso nacional de
ética para, juntos, criarmos um código de conduta profissional para a atividade de forma a
garantir, no desempenho profissional de coaching, a união de conhecimentos em atitude
para o exercício das boas práticas. Meu ideal nesta iniciativa se define pela prestação de um
atendimento melhor e mais qualificado, obtendo como referência
um conjunto de técnicas, normas e valores assumidos livremente
individual e coletivamente pelos profissionais de coaching.
Diante de um código de conduta reconhecido pela classe,
quem sabe seja aprovado que seja dever de todo coach que
se preza, no mínimo, estabelecer transparência total em suas
sessões, por todos os meios possíveis de informação ou de
qualquer outro instrumento que assim favoreçam.
Mas, antes de tudo, que para se exercer a atividade, profissionalmente,
que seja identificada a importância de conhecimento acadêmico
técnico especializado e a necessidade do desenvolvimento
teórico de competência específica para sua aplicação na prática,
possibilitando, assim, estender a toda sociedade os valores e os
benefícios da sua realização com respeito e sigilo absolutos.
Assumindo ainda que a formação e certificação em coaching o capacita para atuar apenas no atendimento aos clientes
de coaching e não na formação de novos coaches. A atuação competente e eficaz na formação de novos coaches deve
requerer um novo nível de capacitação, que será obtida por meio de outro curso de titulação acadêmica específica para tal.
Apesar de estarmos vivenciando um dos momentos mais tecnológicos de nossa história, de manter múltiplas
conversas em tempo real em qualquer ponto do mundo no smartphone, de se curar e matar bactérias, de
voar pelo espaço e andar na Lua, de clonar sementes, ainda assim nos reunimos ao pé da fogueira para
regurgitar o mesmo mantra ditado há mais de dois mil anos por Sócrates, Platão e outros deuses do Olimpo.
Que eles (os gregos), mais os troianos, os romanos, os egípcios, os sumérios e outros seres da Babilônia
e da Bíblia formaram a base ética moral dos Homens de boa vontade não nos restam dúvidas.
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