Muito tem sido discutido sobre espiritualidade e liderança, ou espiritualidade e gestão. Hoje não quero trazer algo novo, mas convidá-lo(a) a refletir sobre a nossa estadia nesse mundo, em particular nas organizações. Se, metaforicamen-te, compararmos a nossa vida com um automóvel onde nós somos o motorista, o bagageiro carrega as experiências e o para-brisa nos permite olhar para o futuro e podemos ter duas situações: ou o peso é grande demais e somos exigidos a olhar constantemente pelo retrovisor, como que administrando a carga, ou a expectativa é enorme e nos faz olhar o futuro antecipando as dificuldades ou tornando-as um eminente perigo.
Alguns precisam olhar para traz todo o tempo, como se cuidasse da sua bagagem, como se não pudesse desvencilhar das caixas, malas e pessoas. Para essas pessoas tudo foi tão marcante que sempre reaparece, pesa e nos desequilibra. A história não se processou como aprendizagem, mas ficou como peso. Outras pessoas olham para o futuro, antecipando os perigos e se preparando para enfrentar os possíveis obstáculos. Também não consegue dirigir, pois não se concentra no carro e sim no futuro. Uns são dirigidos pelo peso do passado e outros pelos perigos do futuro. São olhares diferentes, mas têm em comum muitas marcas, feridas nunca curadas que as fazem sentir mágoa, culpa ou medo. Medo do futuro.
Quando somos obrigados a olhar o passado, cuidar da bagagem, o retrovisor fica mais importante que o para-brisa, que as marchas, que o som do motor, que os obstáculos, que os perigos. Quando só olhamos para o futuro perdemos o presente e também não entramos em contato com o aqui e o agora. Estamos incapacitados de organizar e controlar, de ouvir, “presentificar-se”. Ao negar o passado perdemos a referencia, ao negar o presente perdemos o controle, ao negar o futuro perdemos as metas. Metas, resultados, objetivos são feitos de um único elemento “o agora”. Aliás planejar, é parar e visitar o futuro, para que se possa decidir o hoje.
Estar na direção, atento ao caminho, com objetivos claros e utilizar das experiências é um meio termo que pode nos ajudar a encontrar as saídas. O que do meu passado precisa ser revisitado e compreendido novamente, quais os meus objetivos futuros que podem dar uma direção e um sentido ao hoje?
A espiritualidade nos socorre nesse momento, todas as matrizes - religiosas ou não, e mesmo a neuroteologia - nos chama para um olhar atento - um novo olhar, para sentir, para entrar em contato, para admirar, estranhar, perceber, ouvir, buscando estar presente no presente. Para ter a esperança de que fazendo diferente podemos ter resultadas diferentes. Para confiar e se entregar numa relação de troca de co-criação intra e intersubjetiva. Espiritualidade assim entendida cria a esperança e nos capacita para nos perceber, perceber o outro e nos comprometer com o futuro de tudo e de todos. Somos convidados à convivência, por meio de:
LIDERANÇA E ESPIRITUALIDADE
Alfredo Barbetta
Alfredo Barbetta
Personal & Professional Coach pela SBC. Psicólogo. Mestre Psicoterapeuta. Especialista em Trauma Emocional. Prof. Universitário em Comportamento Organizacional e Desenvolvimento Gerencial. Estudioso sobre liderança e sustentabilidade, a relação entre trauma emocional e atitudes de chefia.
REVISTA LIDER COACH | Junho | 40