- Estou sim, ela respondeu. Repliquei – Não está. Ela insistiu em retrucar. Eu lhe disse: Não precisa me dizer o que se passa, espero que fique tudo bem contigo. Se precisar venha falar comigo.
Passado algum tempo ela entrou em minha sala e começou a chorar. Eu lhe pedi que se acalmas-se. Ela me contou o que acontecera e eu prontamente pedi-lhe para se recompor para que fôssemos apresentar a questão (que não vem ao caso) ao nosso diretor. Ela disse: Você é
louco, ele vai me demitir! Eu – Calma, confie em mim.
Apresentei o caso ao nosso superior e ele disse para a funcionária voltar a trabalhar e que ele encaminharia o caso para o devido encerra-mento. Nessa situação caberia até mesmo uma demissão por justa causa, mas a percepção de um Líder Coach foi de enxergar o que outros até então não haviam enxergado.
Passado um certo período a funcionária havia conquistado uma promoção na presidência da empresa. Há uns dois meses liguei para ela pe-dindo-lhe autorização para a publicação desse case e ela me disse que nem lembrava mais dessa história e que eu poderia publicar sem problema algum. Hoje ela é gerente de uma outra área.
Case 3 – A falta de Kokorokubari Kikubari por
um outro líder
Trabalho desde 8 anos de idade e aos 10 já viajava com meu próprio dinheiro, fruto do meu trabalho. Aos 16 comprei meu primeiro terreno. Aos 22 construí minha primeira casa. Tinha então uma visão empreendedora muito forte desde então.
Mesmo trabalhando para um outro empregador sempre tentava aplicar o meu empreendedo-rismo. Nem sabia que podia empreender estando trabalhando numa empresa que não fosse a minha. (Veja artigo do Dr. Ricardo Baracho na 1ª Edição da Revista Líder Coach). Aliás, nem com o avanço da Internet percebi que poderia criar um serviço inovador. Irradiante de alegria por ter criado um conceito inovador, fui apresentar a ideia ao meu gerente. Ele simplesmente respondeu: “Isso não tem futuro”. Eu saí da sua sala e fui curtir a minha frustração. Esse fato foi um divisor de águas em minha vida.
Passado pouco mais de um ano o mesmo gestor me chamou à sua sala e, com uma revista na mão, disse-me: “O nosso presidente viu um de nossos principais concorrentes na capa da Exame e quer que façamos o mesmo tipo de serviço”. Eu respondi prontamente e com um tom de autoridade: Você lembra que há um ano eu te dei essa ideia e você simplesmente disse que não teria futuro?”. Em seguida levantei-me e fui para a minha sala, pois ficar ali lhe forçaria a dar-me uma resposta qualquer. Assim lhe evitei um constrangimento maior.
Um verdadeiro Líder Coach teria pedido mais informações sobre o projeto, apresentado a alguém que tivesse conhecimento sobre o assunto. Muitas vezes em nossas vidas é mais fácil desistir de algo do que encarar os desafios.
O pior é ver tanta gente infeliz em seus locais de trabalho, sem que saibam que ali mesmo podem formar parcerias e assim criar novas perspectivas para seus líderes, pares, liderados e parceiros, numa corrente produtiva geradora de empregos e benefícios aos usuários de suas ideias empre-endedoras.
Infelizmente muitos líderes têm a visão míope e, ao invés de pelo menos analisarem as ideias que lhe chegam, desencadeiam uma série de malefícios: frustram os empreendedores, escon-dem dos donos da empresa algo que esses poderiam dar grande apoio e ainda reclamam dos tempos difíceis e das crises anunciadas. Li uma frase durante a crise de 2008 que me impactou fortemente. “Em períodos de crise uns choram e outros vendem lenço”.
Antonio de Sousa, Personal & Professional Coach pela Sociedade Brasileira de Coaching. Empresário, Escritor e Palestrante com experiência internacional em consultoria e auditoria em mais de 20 países. MBA pela Business School São Paulo, com especialização pelas Universidades da Califórnia e de Totonro. Fundador e 1º Presidente da ISACA – Information Systems Audit & Control Association no Brasil. Foi Regional Information Security Coach para América Latina e Caribe na KPMG. Trabalhou na Pfizer, Itaú, Pão de Açúcar, Moore e ABN . Membro da Campanha Solidária - FMO.
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