Saúde Emocional
O desafio de uma liderança humanizada
Por Alfredo Barbetta
Que nossas organizações se-jam espaços de bem estar pessoal e de felicidade e que cada um de nós, no papel de líderes coaches, sejamos instrumentos de crescimen-to, de segurança e de acolhi-mento para todos, na cons-trução de um mundo melhor.
Personal & Professional Coach pela SBC. Psicólogo. Mestre Psicoterapeuta. Especialista em Trauma Emocional. Prof. Universitário em Comportamento Organizacional e Desenvolvimento Gerencial. Estudioso sobre liderança e sustentabilidade, a relação entre trauma emocional e atitudes de chefia.
Parte 2-2
Como o líder pode fazer diferença na vida das pessoas de forma a ser reconhecido como alguém que vale a pena estar junto num projeto? Que tipo de relação humana minimizaria o sofrimento num ambiente desgastante e higienicamente insalubre. Ou ainda, tendo em vista um objetivo difícil, qual tipo de vínculo humano viria trazer esperança e vontade de alcançar?
De um lado, as organizações são o locus privilegiado da experiência humana. Independente da sua estrutura, tamanho ou cultura. Elas são espaços onde os objetivos são perseguidos. E são feitas de PESSOAS, por PESSOAS para PESSOAS. Elas não são apenas o lugar onde se ganha dinheiro, são também o espaço do prazer, do poder, do reconhecimento e do acolhimento. Muitas vezes é ali que se encontram amigos, namorados, paqueras, enfim, numa sociedade baseada em organizações elas são o espaço social por excelência.
O líder será então aquele que, além de ser responsável pela meta, é também uma referência, fazendo papel que até recentemente era de outras pessoas. Daí a importância da sua saúde, principalmente da sua saúde emocional. O líder será sempre alvo de transferências, de expectativas, de projeções, de esperanças e também de frustração. De outro lado, nossa cultura administrativa está baseada num modelo de gestão (planejamento, organização, liderança e controle). Está baseada na racionalidade negando a subjetividade, que é o espaço de encontro do indivíduo com o mundo social, resultando em processos de sentido e significação. O que equivale a dizer que negar a subjetividade é negar o ser humano.
Liderar atento às pessoas e a um ambiente saudável é o desafio da contemporaneidade, e será cada vez mais. As mudanças sociais, culturais, políticas e organizacionais estão exigindo um olhar aberto ao outro, atento e acolhedor da sua individualidade e subjetividade. A saúde dos grupos depende, em grande parte, do esforço das lideranças em entender que as organizações são espaços porosos, que mantém trocas com o meio. Pense, que os jovens que participaram das últimas manifestações serão membros da sua equipe, ou as mulheres, os negros, os homossexuais, antes tidos como minoria política são cada vez mais iguais, que exigirão igualdade sempre que a diferença os diminuir e cobrarão a diferença quando forem descaracterizados.
Nossa coluna deseja ser um espaço de reflexão sobre o líder e suas relações com as pessoas com a organização e com o meio e o seu entorno. Refletir sobre essa pessoa que ao assumir a liderança veste uma fantasia de super racional e passa a negar em si mesmo as crenças, a emoção e a individualidade e com isso nega no outro a subjetividade e as diferenças e, ao negar no outro a subjetividade, impõe com suas atitudes contribuindo na criação de um ambiente árido, excessivamente competitivo, impessoal, frio etc.
Assim, adotar o paradigma da saúde emocional como princípio e fim das relações pode enriquecer enormemente sua atuação como líder. Inclui-se aí a preocupação com o clima organizacional, com as relações formais e informais, com a cultura, com os desejos e necessidades das pessoas, com a individualidade e as diferenças, buscando orquestrar tudo isso em função dos objetivos a serem alcançados. Cada pessoa traz a sua parte. O líder acolhe, articula e orienta esses talentos, habilidades, saberes e fazeres na direção das metas.
Saúde emocional tem a ver com nossa capacidade de reflexão sobre nossas atitudes, relacionando o pensar, o sentir e o agir com a história pessoal, com aquilo que foi feito conosco e com o que fizemos com o que foi feito conosco. E na perspectiva do grupo, diz repeito à sensação subjetiva de felicidade das pessoas.
Estamos falando do líder como uma pessoa que tem desafios bastante complexos estando pressionado pela estrutura e pelo grupo. O peso será menor à medida em que ele entender que os objetivos serão alcançados porque ele e a organização podem contar com outras pessoas. Essa talvez seja a cognição positiva mais importante para o líder que está preocupado com a sua saúde e com a de sua equipe. “Eu posso contar com você, para chegar ao objetivo que é de todos nós?”.
A percepção subjetiva de felicidade, por parte dos membros da equipe, será sempre o indicador mais saliente da saúde emocional do líder e do grupo. Inclui a satisfação global com a vida, vivência de emoções positivas e também de segurança para lançar-se, autoaceitação e heteroaceitação, crescimento pessoal, controle ambiental, autonomia, relações positivas com os outros e propósito de vida.
6