Esta experiência aconteceu comigo há vários anos. Alguns detalhes foram omitidos para preservar as pessoas que têm relação com o fato.
Estava trabalhando na minha sala, quando um colega de trabalho entrou e disse: Lembra do Fulano de Tal?. - Imediatamente pensei que aquela pessoa tinha morrido e perguntei se era isso, felizmente não era. Meu colega me contou que essa pessoa tinha se aproveitado de uma situação e tinha movimentado dinheiro da empresa na sua conta por algumas vezes e por algum tempo. Nesse momento gelei totalmente, pois não esperava essa atitude daquela pessoa, com quem convivi por um bom tempo. Tratava-se de um amigo. Foi contratado por indicação de um funcionário do alto escalão e, principalmente porque uns 3 anos antes eu havia emprestado alguns cheques para essa pessoa. Os primeiros sob o pretexto de pagar um tratamento dentário e depois eu desconfiei e perguntei-lhe qual era o objetivo daqueles cheques. O Fulano me revelou que era para pagar transações financeiras feitas com um agiota, que emprestava dinheiro costumeira-mente. Eu acabei fazendo algumas operações com esse agiota também, pois estava com algumas dificuldades financeiras naquela época.
Naquele momento pensei no pior, iriam fazer uma devassa na conta da pessoa e eu, que não tinha nenhum envolvimento com o fato, iria ter que me explicar e tudo o mais. Passados alguns segundos de reflexão, levantei-me e fui até a sala do diretor para quem eu respondia. Contei-lhe toda a história. Ele imediatamente chamou o responsável pela área financeira da nossa unidade e solicitou-me que repetisse a história. O financeiro, por sua vez, solicitou que fôssemos até um dos vice-presidentes para contar mais uma vez a história. Foi o que fiz. Após o relato recebi a seguinte informação: Marcel, você sabe de quem ele é amigo, é um assunto muito desagradável, estamos todos chocados com isso. Afinal ele não se apropriou definitivamente do dinheiro. Ele o usava por um período e depois passava para a empresa. Vamos esquecer esse assunto e, para minha surpresa, me disse: quanto a você, só aumenta a nossa confiança pela sua atitude de vir e falar algo que nós jamais saberíamos.
Cerca de 30 minutos depois eu tinha voltado para a minha sala e estava trabalhando normalmente. Fiquei feliz e orgulhoso da minha atitude de esclarecer o assunto rapidamente e pude ter paz e consciência tranquila. Se não tivesse feito isso seria refém para o resto de minha vida, sempre com medo de que alguém pudesse descobrir os erros que cometi, dos quais me arrependi verdadeiramente.
Tomei isso como uma lição para a minha vida. Desde então tenho agido com a maior transparência possível em tudo o que faço. São nessas horas que a nossa liderança é colocada à prova. Ainda há uma questão que me persegue desde então: O quanto temos aplicado o Kokorokubari Kikubari - Transcendendo os limites da percepção? Leia o artigo nesta edição.
Marcel Spadoto. Economista e Contador Pós-graduado em Vendas & Marketing pela ESPM. Possui especialização em negócios pela FGV. Consultor certificado pela Abracem. Palestrante sobre vendas, marketing e gestão empresarial. Possui mais de 30 anos de carreira. Foi executivo em empresas multinacionais. Atuou em integradores e distribuidores de tecnologia de expressão nacional e startups de seguros online. É CEO da M2BS, Sócio da Opportunity Consultoria e Professor da FIA.
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