O ser humano se constitui na relação com outro através da linguagem. Essa é uma frase de Jacques Lacan (1901- 1981), psicanalista francês e de grande valia para o presente artigo. O bebê desenvolve o seu esquema mental tendo como referência a mãe que interpreta os seus gestos e transmite simbolizações. Tudo isso através da linguagem. Sem esse outro que é a mãe, o bebê não se subjetiviza. Ou seja, precisamos do outro desde que nascemos, sem essa linguagem não haverá a ação de colaboração no bebê.
Entendemos linguagem como sendo o relacionamento e interação entre as pessoas. Aprendemos desde cedo que precisamos uns dos outros. Sem a linguagem nos tornamos ilhas, nos isolamos.
No ambiente de trabalho a colaboração é fundamental. Hoje as empresas chamam de colaboradores os que antes eram chamados de empregados. Os colaboradores trabalham visando o bem da empresa e o ganho da empresa também é o ganho dos colaboradores. Mas os colaboradores não devem apenas colaborar para com a empresa, mas também mutuamente e para que isso aconteça é necessário a interação entre eles, a linguagem. Sem a linguagem, a empresa está fadada ao fracasso, não será uma empresa-sujeito. Não há colaboração, seja na família, na escola e na empresa se não houver linguagem.
Muitas empresas padecem devido à falta da linguagem. E essa falta muitas vezes começa com o presidente/CEO que não interage, que lidera à distância, não comunica claramente os objetivos da empresa e as consequências atingem a todos os colaboradores. Mas existem os presidentes com ótima linguagem, mas que infelizmente não é seguida pelos descendentes. É muito comum as empresas familiares quebrarem na geração seguinte. Os filhos assumem a empresa, mas não utilizam a linguagem iniciada pelo pai. O dinheiro vai embora, os fornecedores saem de cena e ao final vemos filhos brigando pela herança da família. Sem linguagem não há colaboração. Se a linguagem não for fomentada no bebê o que será dele? E o que será da empresa sem uma linguagem? Infelizmente vemos colaboradores da mesma empresa que não trocam palavras, não colaboram mutuamente, pelo contrário, assumem uma postura perversa movida pela ambição.
Existem colaboradores que precisam ouvir quatro ou cinco vezes uma orientação a ser cumprida. Sem a linguagem as pessoas deixam de ser proativas, empreendedoras, colaborado-ras. Co-laborar significa laborar junto e quando isso acontece as trocas são feitas, as experiências são compartilhadas, aprendemos algo novo e passamos isso adiante. Na área da saúde já é adotada a visão multidisciplinar, ou seja, as várias áreas da saúde juntas em prol do bem-estar do paciente.
SEM LINGUAGEM
NÃO HÁ COLABORAÇÃO
Dr. Ricardo Baracho dos Anjos | Ph.D
REVISTA LIDER COACH | Abril | 10