Revista LiteraLivre Revista LiteraLivre 8ª edição | Page 91

LiteraLivre nº 8 – Mar/Abr de 2018 Na Terra Qe Moro Lusandro Oliveira Leite Santa Inês/PB Minha terra já foi a mais cruel de todas, germinou Monstros mornos, mitos e Lampião. Mistura seca, fome, esperança, consciência, barbárie e desejo. Aviva a magoa eterna, gotejando raízes do sofrimento pelo tempo! Estamos sempre esperando reunidos? Moramos no pueril deserto, aguardando o dócil inverno, Até agasalhos compramos, nutrificamos os últimos anseios, A água que bebemos! Doce água! Água Boa! Santa terra de horrores é meu sertão! Como um guerreiro, lutamos indivisivelmente, Contra o verão, admirando o sol a reluzir nossos sonhos caindo Das nuvens no Nordeste Brasileiro. Estamos sempre esperando reunidos? Conversando e batendo nos galhos secos das árvores que não florescem, Nos agachamos por um tempo. Disse-lhe, ainda, temos, Nelson Rodrigues Augustus dos Anjos e Ariano Suassuna! A terra que moro, não é indiferente com as demais. Quando éramos jovens e medrosos, Na casa de meu avô sonolento que sempre aconselhava, Pedro, Leia, leia e leia... Na terra que moramos... cavalgamos por tempo, em florestas Sem vida... o que ainda restava, da vida... Essas são as flores das montanhas, Durante infinito verão, doce sertão! 86