Revista LiteraLivre Revista LiteraLivre 8ª edição | Page 88

LiteraLivre nº 8 – Mar/Abr de 2018 Na falta de eletricidade, reminiscências! Ronelson Campelo Silva Porto Velho/RO Como minha esposa encontra-se viajando a trabalho, programei algumas atividades para realizar esta noite. Após o jantar, organizarei alguns papéis do meu trabalho, lerei algumas páginas de um romance e finalizarei a noite com uma série de televisão. Entretanto, enquanto estou na estante selecionando o livro da noite, meus planos acabam por serem frustrados. Motivo: Acabou a energia. Todo o cômodo da casa fica escuro, a não ser pela fraca luz da noite, que entra através dos vidros da janela. Logo penso: “Difícil acreditar, que nos dias de hoje, ainda tenhamos problemas de energia aqui na capital”. Apesar de ser uma situação que dificilmente ocorre no prédio onde moro, penso: “Preciso de velas”. Lembro que alguns meses atrás, quando fui ao supermercado, comprei por impulso um pequeno pacote de velas. Agora, resta saber onde foi guardado, e como encontrá-lo nessa escuridão. Minha esposa e eu combinamos de sempre guardar os materiais úteis como velas, pregos, parafusos e fitas adesivas, na primeira gaveta do armário da cozinha. Então saio da sala e dirijo-me à cozinha. Tomando como guia as paredes e os móveis pelo caminho, chego à cozinha e começo a vasculhar a “gaveta de utilidades”. Apesar da dificuldade de enxergar, encontro bem no fundo, atrás de caixas de fósforos o saquinho de velas ainda lacrado. Pego no balcão da pia um copo de vidro, emborco, acendo a vela, e espero um pouco da parafina derreter. Com o derretimento, pingo um pouco do líquido no copo, e coloco a vela em cima desse líquido, para quando a parafina secar, a vela grude no copo, e não solte com facilidade. Enquanto realizo esse procedimento, há muito tempo esquecido, me vem à mente a época da minha infância. No bairro em que eu morava quase todos os dias enfrentávamos noites sem energia. Era dito e feito, e como já contávamos com a noite sem eletricidade, durante a tarde realizávamos todas as atividades possíveis, como 83