Revista LiteraLivre Revista LiteraLivre 8ª edição | Page 39

LiteraLivre nº 8 – Mar/Abr de 2018 Lázaro subia no guidão e, ao longo do trajeto, contava empolgado o que aprendera naquele dia. Em casa, ajudava a amassar as latinhas que a mãe vendia para a reciclagem. Foi graças a esse dinheiro que Lázaro ganhou seu primeiro tênis, seu primeiro caderno e comeu salada pela primeira vez. Foi com aqueles trocados que ele pôde pagar, por anos, o ônibus para frequentar o Ensino Médio e depois garantir a inscrição no vestibular e comprar os livros recomendados pelos professores da graduação. Inegavelmente, a lata fazia parte de sua vida mais do que ele pensava: estava em tudo o que Lázaro tinha, sabia e havia se tornado. Ia além dos copos de alumínio que sua mãe fabricava artesanalmente para juntos tomarem café todas as manhãs. Não fossem as duas, sua mãe e a lata, Lázaro não teria chegado tão longe. Com a pergunta do “colega” a lhe martelar a mente, ele segurou forte a mão da mãe e ergueu a cabeça. Olhou nos olhos daquele que lhe perguntava se seu anel era de ouro ou de lata e respondeu: — É de lata, com muito orgulho! artedealdenorpimentel.blogspot.com.br 34