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LiteraLivre nº 8 – Mar/Abr de 2018
arrematar a noite, nesse dia fui direto pra casa, tomei um bom banho, e depois
de discutir com a mulher por conta do cheiro de bebida, fui dormir, já na cama
pedi desculpa a patroa, desabafei, fizemos as pazes e já viu né, o coro comeu, foi
uma noite daquelas de amor. Os amigos sem entender nada interrompem o
cidadão:
- Mais o que tem de problema nisso Zé, até aí tudo normal.
E Zé com uma cara de choro completou:
- Vocês não percebem o tamanho do problema, meus amigos, é simples e grave
ao mesmo tempo, o erro foi que não me protegi, acabei por me empolgar e me
esbaldei com a nega veia. Bem vocês sabem a mulher está grávida de gêmeos,
então o meu desespero está aí, o que será de mim se ela engravidar de novo, e
em vez de dois, me venha três ou até quatro, o que será da minha vida, me
digam meus amigos, o que será da minha vida?
Não houve outra reação entre o grupo além do que o silêncio, sem falar nada
pediram a conta e um a um foram saindo, indignados com que o Zé tinha
relatado, para alguns era pura sacanagem desse cara, para outros era somente
ignorância, até hoje não se sabe o que passa ou que se passou naquela cabeça
desse tal de Zé caô, era preciso isso? tanta imaginação, tanta história fiada para
um cara já velho, prestes a ser pai de família, vai saber a verdade, o fato é que
no balcão do bar, ficou sentado sozinho, Zé com a mesma cara deslavada de
preocupação e entre um gole e outro, entre um suspiro e uma coçada de cabeça
na nuca, Zé repetia a mesma frase sozinho:
Mas será possível? Que Deus me livre e guarde disso!
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