Revista LiteraLivre Revista LiteraLivre 8ª edição | Page 174

LiteraLivre nº 8 – Mar/Abr de 2018 arrematar a noite, nesse dia fui direto pra casa, tomei um bom banho, e depois de discutir com a mulher por conta do cheiro de bebida, fui dormir, já na cama pedi desculpa a patroa, desabafei, fizemos as pazes e já viu né, o coro comeu, foi uma noite daquelas de amor. Os amigos sem entender nada interrompem o cidadão: - Mais o que tem de problema nisso Zé, até aí tudo normal. E Zé com uma cara de choro completou: - Vocês não percebem o tamanho do problema, meus amigos, é simples e grave ao mesmo tempo, o erro foi que não me protegi, acabei por me empolgar e me esbaldei com a nega veia. Bem vocês sabem a mulher está grávida de gêmeos, então o meu desespero está aí, o que será de mim se ela engravidar de novo, e em vez de dois, me venha três ou até quatro, o que será da minha vida, me digam meus amigos, o que será da minha vida? Não houve outra reação entre o grupo além do que o silêncio, sem falar nada pediram a conta e um a um foram saindo, indignados com que o Zé tinha relatado, para alguns era pura sacanagem desse cara, para outros era somente ignorância, até hoje não se sabe o que passa ou que se passou naquela cabeça desse tal de Zé caô, era preciso isso? tanta imaginação, tanta história fiada para um cara já velho, prestes a ser pai de família, vai saber a verdade, o fato é que no balcão do bar, ficou sentado sozinho, Zé com a mesma cara deslavada de preocupação e entre um gole e outro, entre um suspiro e uma coçada de cabeça na nuca, Zé repetia a mesma frase sozinho: Mas será possível? Que Deus me livre e guarde disso! 169