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LiteraLivre nº 8 – Mar/Abr de 2018
Qeimando aos Poucos
Eduard Traste
Florianópolis/SC
tenho voltado sempre para o mesmo embora eu venha todos os dias
bar. já tem anos, ninguém me conhece.
a cadeira não é das melhores aqui ninguém me vê
mas posso fumar onde quer que eu pare aqui não preciso ouvir ou falar
e o garçom já me reconhece eu apenas sento e bebo e fumo até
e traz a mais barata e mais gelada me perder.. e quando consigo
sem eu precisar pedir. ignorar o que não importa
o que mais eu poderia desejar eu acabo conseguindo
de um bar? de uma noite? me entregar ao fogo
de um dia inteiro? de alguém? e ao menos queimar em paz
de alguém que não sabe quem sou? por algumas horas.. e por um
palmas? não preciso disso momento
além do que, não gosto de barulho é como se tudo mais virasse cinzas
embora peide alto e cada dia mais e eu pudesse simplesmente
mas é a vida.. você bebe, você dorme soprar tudo para longe
você acorda, você arrota feito à fumaça que exala
e você peida.. tão sagrado do meu corpo,
quanto Darwin na Cruz agora.
suspensa.. além disso
e talvez o principal, aqui
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