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LiteraLivre nº 8 – Mar/Abr de 2018
Nem perfume
Que mereça afogar o cântico
Feito de terra e homem
Do homem feito de terra
Libertando-se de outro homem
E, senhor do mundo!
E porque mando no meu cântico,
Ele não terá lágrimas,
Mas uma vontade nova!
Ele não terá beleza restrita,
Mas grito de guerra!
Não terá sonhos,
Mas planos táticos,...
Não terá lembranças,
Mas todo um programa!
Não terá perfis,
Mas multidões!
Não terá ruas,
Mas trincheiras!
Não terá jasmins,
Mas flor de brejo!
Não terá vinho,
Mas água de serra!
Poucos sorrisos talvez,
Muitos gritos de dor
Mas no fim ressoará uma vitória
Terremoto e convulsão,
Orgasmo da história!
À partir de hoje
Enxugarei minha canção
E destruirei
Toda lágrima lembrança
Todo perfil sozinho
Toda beleza perfume
À tudo enxugarei
Com outra canção!
Amei “Sara”
Mas fui amigo
E mostrei que ela me amara.
Amei a de nome bíblico e a convenci
De que ela queria algo além,
Que eu ainda não possuía!
Amei a mais fogosa
E me levei ao psiquiatra
Que não só extinguiu o fogo,
Como quase me prendeu
Como incendiário!
A todas perdi
Por ser amigo,
E todas ficaram minhas amigas.
Pois bem;
Não quero mais amigas!
Tu és a amante sonho
De expectativas feitas
Tu és as sombras precedentes
Que não puderam me acompanhar
Tu és a soma de todos os sorrisos
Que me abandonaram
Tu és o rastro de todos os amores
A quem amei,
Mas que temeram...
Tu és tudo quanto poderia ter sido
Mas que não foi
Porque elas se atemorizaram.
Tu és todas as minhas tristezas
Nascidas da vontade de amar
Nascidas no momento em que elas
Me viam por dentro e para o futuro
E fugiam...
Tu és a viúva de mim mesmo te
abraçando!
Tu és minha filha
Como o brilho do sol
Antes de nascer sobre o mar!
Tu és o amor hipótese arterial
Pulsação e calor
Que ocupa o latifúndio improdutivo
Da minha tristeza vazia.
Tu és o que não foste
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