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LiteraLivre nº 8 – Mar/Abr de 2018
E de amor eu vou morrer!
Tentaram me aconselhar
Com palavras bonitas
Para me acalentar
Dizendo que só há um jeito
De voltar a ser feliz;
“Abra o peito meu amigo,
Deixa ela partir”!
Seu coração não vai parar!
Pelo contrário, ele “Sara”!
“Sara”? Assim ele não “Sara”!
Como pode-se esquecer
De alguém a quem se ama
Dentro de mim você sou eu
Para a dor e o prazer
Para o sabor e o saber
Para a emoção de viver
Viagem tão companheira.
Sou eu sim,
Eu sou assim,
Com seu corpo
Em mim!
Ao amanhecer
Não me reconheci;
Descobri que sou agora outro
Em que só existe
O que ontem eu temia.
Ao amanhecer
Haviam desaparecido
A cintilância da madrugada
O sonho mentira da fuga
A competição acabou!
Pobre daquele homem
Ou começarei sem mim de novo?
Não quero mais ser o outro
Aquele que tem o ID engessado
Ferido e envergonhado
Jogando na rua um rosto
Parecido com o de ontem,
Máscara da última
Tentativa de viver.
Algumas coisas ficaram tão pequenas,
Que perderam a importância.
Quando sair daqui
Tentarei eliminar
Tudo que seja triste e pequeno
Tentarei...
Tentarei novas formas
E não chorarei as perdas
Tentarei, vencerei!
De que adianta o sorriso não visto?
A quem alegra o olhar que não se vê?
A quem consola a palavra não ouvida?
A quem abraçam os músculos no
vazio?
Ao sair tudo continua
Tão distante e pequeno.
Não devereis temer
Entrar no recinto portátil
Que acompanha o “ex”...
De que adiantarão
Minhas novas lentes
Se ninguém acreditar
Na minha escala de medidas?
Se eu deixasse
Perder-se a minha poesia
Certamente encontraria
Paisagens e belezas nuas!
Mas não deixarei que isso aconteça.
Decididamente,
Não hei de permiti-lo!
Porque não há perfil,
Vencido num último instante
Por um golpe casual
De um super ego qualquer
Que nem é o meu sequer...
Eu bem que desconfiava,
De que a partida estava fácil demais!
Levei-me então ao hospital...
Nem rua
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