Revista LiteraLivre Revista LiteraLivre 8ª edição | Page 142

LiteraLivre nº 8 – Mar/Abr de 2018 E de amor eu vou morrer! Tentaram me aconselhar Com palavras bonitas Para me acalentar Dizendo que só há um jeito De voltar a ser feliz; “Abra o peito meu amigo, Deixa ela partir”! Seu coração não vai parar! Pelo contrário, ele “Sara”! “Sara”? Assim ele não “Sara”! Como pode-se esquecer De alguém a quem se ama Dentro de mim você sou eu Para a dor e o prazer Para o sabor e o saber Para a emoção de viver Viagem tão companheira. Sou eu sim, Eu sou assim, Com seu corpo Em mim! Ao amanhecer Não me reconheci; Descobri que sou agora outro Em que só existe O que ontem eu temia. Ao amanhecer Haviam desaparecido A cintilância da madrugada O sonho mentira da fuga A competição acabou! Pobre daquele homem Ou começarei sem mim de novo? Não quero mais ser o outro Aquele que tem o ID engessado Ferido e envergonhado Jogando na rua um rosto Parecido com o de ontem, Máscara da última Tentativa de viver. Algumas coisas ficaram tão pequenas, Que perderam a importância. Quando sair daqui Tentarei eliminar Tudo que seja triste e pequeno Tentarei... Tentarei novas formas E não chorarei as perdas Tentarei, vencerei! De que adianta o sorriso não visto? A quem alegra o olhar que não se vê? A quem consola a palavra não ouvida? A quem abraçam os músculos no vazio? Ao sair tudo continua Tão distante e pequeno. Não devereis temer Entrar no recinto portátil Que acompanha o “ex”... De que adiantarão Minhas novas lentes Se ninguém acreditar Na minha escala de medidas? Se eu deixasse Perder-se a minha poesia Certamente encontraria Paisagens e belezas nuas! Mas não deixarei que isso aconteça. Decididamente, Não hei de permiti-lo! Porque não há perfil, Vencido num último instante Por um golpe casual De um super ego qualquer Que nem é o meu sequer... Eu bem que desconfiava, De que a partida estava fácil demais! Levei-me então ao hospital... Nem rua 137