Revista LiteraLivre Revista LiteraLivre 4ª edição | Página 91
LiteraLivre nº 4
profundidade em que me encontro, tudo é muito forte. Quem sabe da
superfície alguém me mostre outras formas de manter-se vivo e outras
implicações sobre a conclusão do filme; pois acredito que só eu tenha sentido
o filme desta maneira, com meu sentir mais do que longo fui onde não se volta
mais, fui até onde não consigo mais controlar, porque quando se puxa o ar e
ele entra com tudo não há como impedir o funcionamento de todos os órgãos
do corpo: é instantâneo, é natural, é imediato e saudável.
Quem sabe ninguém entenda o que estou a dizer e como posso com um
simples filme me ter colocado em tamanha sintonia com o ser vivo que tenho
em mim. Mas não é com intenção de dramatizar o instante ou culpar qualquer
acontecimento que o detalho. A intenção é mais simples que possa parecer:
que um momento tão bonito seja classificado como tal, e que a importância
devida seja exposta como merece; sem mais, nem menos; sem desprezo, sem
cobrança, sem idolatria, sem exageros; só a simples lembrança fantástica de
um ser voltando a viver e do que uma ida ao cinema pode fazer.
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