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LiteraLivre nº 4
da estrovenga ingente! Não conhece? Santa seja a tua ignorância! Então não
sabe a genealogia do nosso amado Nero? O que? Ele não está! Quer o seu
celular de volta? Onde pode pegá-lo? Então o senhor não ouviu nada do que
acabei de dizer? Dia vinte de maio, no chafariz da Praça da Sé, acontecerá... Já
sabe? Ora, se o senhor já sabe então vá buscá-lo neste dia, no lugar
devidamente informado, mas devo precavê-lo de que ele, este reles ditador
eletrônico, não lhe será mais útil em nada, em coisa alguma, após a data em
questão; e, quando menos, lhe será tarefa inglória procurá-lo em meio a
copiosa quantidade de celulares, de todos os tipos e de todas as marcas, de
todas as cores e tamanhos, de toda e qualquer operadora, que lá estarão
naufragados no silêncio definitivo de suas panes! E viva as panes de todos os
celulares! Viva! E viva o chafariz da Praça da Sé, repositório de todo lixo
eletrônico enfim extinto! Viva! Quem? Ele não está! Quando? Somente dia
vinte de maio, meu senhor, antes não poderá ser! Que fique o não-dito pelo
dito! Não entende? Nem eu tampouco posso entendê-lo! O que? Hoje? Dia
vinte de maio é hoje? O senhor está certo disso? Sem sombra de dúvida? Não
posso contestá-lo, porquanto eu mesmo me perco nos dias, nos meses e nos
anos atuais, por falta de um calendário que me guie nas veredas do tempo.
Mas se o senhor afirma, está mais do que afirmado! Em vista disso, estando eu
aqui em Guará, impossibilitado de chegar a tempo na Praça da Sé para o
grande ato, não me resta outra saída senão principiar aqui uma modesta
representação do que se passa por lá e dar início ao afogamento dos celulares
no pequeno chafariz que aqui temos! Dou por aberto o ato manifestatório que
depõe a ditadura dos aparelhos eletrônicos de conectividade instantânea, a
começar por este aqui que tenho nas mãos! Senhor, faço votos de que passe
bem!
Glup!
Pi,pi,pi,pi...
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