Revista LiteraLivre Revista LiteraLivre 4ª edição | Page 81

LiteraLivre nº 4 da estrovenga ingente! Não conhece? Santa seja a tua ignorância! Então não sabe a genealogia do nosso amado Nero? O que? Ele não está! Quer o seu celular de volta? Onde pode pegá-lo? Então o senhor não ouviu nada do que acabei de dizer? Dia vinte de maio, no chafariz da Praça da Sé, acontecerá... Já sabe? Ora, se o senhor já sabe então vá buscá-lo neste dia, no lugar devidamente informado, mas devo precavê-lo de que ele, este reles ditador eletrônico, não lhe será mais útil em nada, em coisa alguma, após a data em questão; e, quando menos, lhe será tarefa inglória procurá-lo em meio a copiosa quantidade de celulares, de todos os tipos e de todas as marcas, de todas as cores e tamanhos, de toda e qualquer operadora, que lá estarão naufragados no silêncio definitivo de suas panes! E viva as panes de todos os celulares! Viva! E viva o chafariz da Praça da Sé, repositório de todo lixo eletrônico enfim extinto! Viva! Quem? Ele não está! Quando? Somente dia vinte de maio, meu senhor, antes não poderá ser! Que fique o não-dito pelo dito! Não entende? Nem eu tampouco posso entendê-lo! O que? Hoje? Dia vinte de maio é hoje? O senhor está certo disso? Sem sombra de dúvida? Não posso contestá-lo, porquanto eu mesmo me perco nos dias, nos meses e nos anos atuais, por falta de um calendário que me guie nas veredas do tempo. Mas se o senhor afirma, está mais do que afirmado! Em vista disso, estando eu aqui em Guará, impossibilitado de chegar a tempo na Praça da Sé para o grande ato, não me resta outra saída senão principiar aqui uma modesta representação do que se passa por lá e dar início ao afogamento dos celulares no pequeno chafariz que aqui temos! Dou por aberto o ato manifestatório que depõe a ditadura dos aparelhos eletrônicos de conectividade instantânea, a começar por este aqui que tenho nas mãos! Senhor, faço votos de que passe bem! Glup! Pi,pi,pi,pi... 76