Revista LiteraLivre Revista LiteraLivre 4ª edição | Page 74

LiteraLivre nº 4 do ônibus cheio; embora saibamos que o encanto está além das pupilas dos que querem efetivamente ver... A sua presença, antes metonímia de amizade, é só mais um corpo estranho que movimenta os quase 30 mil alunos da universidade. Hoje, nossa narrativa é silêncio, total emudecimento nosso. Entretanto: a sua estranheza me afeta, não me é estranha, alheia. A visão da sua ausência em nosso estranhamento constrange a minha entrada no carro em que sou apenas um número a receber carona, sobretudo quando neste veículo, fatalmente, a trilha sonora, além dos diálogos inaudíveis por mim, são as músicas que foram aclamadas pela brandura de nossa pré- adolescência. Ao fim, dói, mas, como se versa um desses arranjos infantojuvenis: “Eu sei/Tá tudo diferente./Nada é mesmo igual pra sempre./O tempo muda a gente o tempo inteiro./As flores mudam na estação, nos dias claros do verão que acabou.” Hoje reconheço quantas narrativas são sempre possíveis...Aprendi a respeitá-las. 69