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LiteraLivre nº 4
do ônibus cheio; embora saibamos que o encanto está além das pupilas
dos que querem efetivamente ver...
A sua presença, antes metonímia de amizade, é só mais um corpo
estranho que movimenta os quase 30 mil alunos da universidade. Hoje,
nossa narrativa é silêncio, total emudecimento nosso. Entretanto: a sua
estranheza me afeta, não me é estranha, alheia. A visão da sua ausência
em nosso estranhamento constrange a minha entrada no carro em que
sou apenas um número a receber carona, sobretudo quando neste
veículo, fatalmente, a trilha sonora, além dos diálogos inaudíveis por
mim, são as músicas que foram aclamadas pela brandura de nossa pré-
adolescência. Ao fim, dói, mas, como se versa um desses arranjos
infantojuvenis: “Eu sei/Tá tudo diferente./Nada é mesmo igual pra
sempre./O tempo muda a gente o tempo inteiro./As flores mudam na
estação, nos dias claros do verão que acabou.”
Hoje reconheço quantas narrativas são sempre possíveis...Aprendi a
respeitá-las.
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