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LiteraLivre nº 4
Fênix
Simone Lacerda
Cachoeiro de Itapemirim/ES
Dei para admitir que saudade é sentimento que cresce. E que esperança
é o vislumbramento de um dia menos doído. Caço palavras que
comportem emoções em meu peito para que tenha o que colher e
ofertar como possibilidade. Nada de sacralizar o que não tem
encantamento e propagar vozes ecoadas, sombras de um discurso,
talvez.
Ter vontades de amor é a aversão do medo, da ausência que permanece
sempre. Gosto de tornar-me afeto e desejo de quem busca um novo
olhar e uma poesia que salte ao peito. De quem me desenhou por perto,
mesmo que por horas ou por uma vida de tantas décadas.
Sou poeta de vocabulários e de desdizeres, do que é inaudito e
costurado nas camadas do coração. Tenho perplexidades e lucidez,
guardo receios e gosto de comungar com as linguagens, com o que é
evocado quando se sente. Nada de camuflar sentimentos e do que pulsa
aos berros na alma. É preciso dizer o que há possibilidade de ser sentido.
Não há vida e amores sem humanidade e existência, embora muitos só
se permitem viver. Não se declaram e não se prescrevem. Não se
delineiam nem tão pouco constroem. Não escolhem caminhos e não
invadem fronteiras. Só ali, na beira, na espreita de um sentimento linear
e vago.
Se há entraves, que perpassemos e sejamos tantos nós. Deixemos a
verossimilhança e avancemos as vertentes, sejamos mais amor e
tenhamos mais amor. Sejamos o que não propusermos ser e ideal