Revista LiteraLivre Revista LiteraLivre 4ª edição | Page 63

LiteraLivre nº 4 Fênix Simone Lacerda Cachoeiro de Itapemirim/ES Dei para admitir que saudade é sentimento que cresce. E que esperança é o vislumbramento de um dia menos doído. Caço palavras que comportem emoções em meu peito para que tenha o que colher e ofertar como possibilidade. Nada de sacralizar o que não tem encantamento e propagar vozes ecoadas, sombras de um discurso, talvez. Ter vontades de amor é a aversão do medo, da ausência que permanece sempre. Gosto de tornar-me afeto e desejo de quem busca um novo olhar e uma poesia que salte ao peito. De quem me desenhou por perto, mesmo que por horas ou por uma vida de tantas décadas. Sou poeta de vocabulários e de desdizeres, do que é inaudito e costurado nas camadas do coração. Tenho perplexidades e lucidez, guardo receios e gosto de comungar com as linguagens, com o que é evocado quando se sente. Nada de camuflar sentimentos e do que pulsa aos berros na alma. É preciso dizer o que há possibilidade de ser sentido. Não há vida e amores sem humanidade e existência, embora muitos só se permitem viver. Não se declaram e não se prescrevem. Não se delineiam nem tão pouco constroem. Não escolhem caminhos e não invadem fronteiras. Só ali, na beira, na espreita de um sentimento linear e vago. Se há entraves, que perpassemos e sejamos tantos nós. Deixemos a verossimilhança e avancemos as vertentes, sejamos mais amor e tenhamos mais amor. Sejamos o que não propusermos ser e ideal