LiteraLivre n º 4
Vi um homem declarando seus pensamentos sobre a vida, a doença, com muita calma. Era um ser especial, iluminado.
Betinho tornou-se um porta voz dos aidéticos, com uma campanha para esclarecer as pessoas sobre a doença. Em 1993, foi considerado o homem de ideias do ano. Lutou pela reforma agrária, viajou pelo Brasil e através do que viu, fundou a ação pela cidadania e miséria com campanhas de arrecadação de alimentos que mobilizavam o país, como o Natal sem fome. Considerava-se um homem comum, um libertário, dizia que a liberdade é um bem fundamental que não pode ser sacrificado em nome de nada.
Um militante, intelectual, ativista, sobrevivente, o que não perdeu a esperança. Para mim, um exemplo de cidadão voltado para o bem a ser seguido e sempre lembrado. Um lutador incansável que só se entregou no final, quando já estava muito debilitado pela doença. Um pequeno grande homem que escolheu a maneira mais coerente de viver o tempo que lhe era concedido. E sem medo. Nem da discriminação, nem da morte.
Ele disse:“ Estou bem com Deus. Se não estiver bem com Ele, pelo menos estou bem comigo”.
Grande Betinho. Pessoas assim são raras. Cumpriu esplendidamente sua tarefa, em tão pouco tempo, e sem reclamar. Deus estava tão bem com ele que planejou tudo direitinho. Queria-o em Seus braços e levou cedo nosso brilhante homem. Mas antes deu-lhe tempo e inspiração para realizar tudo que Ele queria. Assim é a vida.
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