Revista LiteraLivre Revista LiteraLivre 4ª edição | Page 159

LiteraLivre nº 4 Sobre Ciganas e Leituras de Mão Guilherme Pelodan Jacareí/SP Me empresta a manivela aí brother. Para dar uma acelerada aqui na internet. Internet de lan house de centro de cidade é foda. Preciso ver e-mail. Mandar mensagem para ela. Porque a cigana me lembrou. Me fez pensar nela. Lembrar do perfume e ter até um pouco de coragem. Tenho uma história com ciganos. esse povo gosta de mim. eu gosto deles. Plínio Marcos falando do cigano truqueiro da porra e eu me identifiquei. entendi o paranuê da parada toda. o zigue-zigue. o ziriguidum. que tem mesmo. é para ter. sempre teve. e tem que ter. para sobreviver sem moeda no bolso. na casa das notas. no asfalto quente. no eticétera do dia a dia da gente. Tava andando uma cigana me parou. Você é de espiritualidade filho. é sim que eu sei filho. É sim. Deixa eu ver sua mão filho. Deixa eu ver sua mão. Você tem uma moedinha para a mãe. Trés bien véinha. Tem ma moedinha pra molhar sua mão aqui. Me ensina uma oração filho. Me ensina uma oração. Ensina uma oração pra mãe véia. Ensino sim véinha. Ouve essa daqui ó. São Miguel na frente. São miguel atrás. São Miguel na direita. São Miguel na esquerda. São Miguel. São Miguel. Onde quer que eu vá eu sou o seu amor que protege aqui. Anota para mim filho. Anota. Não deu para anotar. Fica bem véinha. Deus vai lhe pagar. Fui andando. Tchau tia. Até mais. Até logo. Até outro dia. Depois outra cigana me para. Outra ocasião. Nem sei porque lembrei dessa historinha que acabei de contar. a história mesmo é outra. Outra coisa. Negócio outro. Outro momento. Mas é cenário semelhante. Um outro centro de cidade. Os mesmos personagens. 154