Revista LiteraLivre edição especial - 03 | Page 119

LiteraLivre Edição Especial nº 03 - 2019 espíritos, assassinatos ritualísticos. Tudo relatado em recortes de tabloides datados de dezenas de anos atrás, com um antecedente em comum: Aquele bairro. O vigia então começa a se preocupar ainda mais com o ar insólito daquilo. O estado doentio do guarda anterior parecia ter se manifestado em alguma obsessão pelo histórico tétrico do bairro. O clima sombrio e nebuloso daquela área parecia tê-lo prejudicado de tal forma que precisou se retirar. Os livros contidos na mala eram ainda mais curiosos. Uma bíblia e um caderno antigo, de capa dura e desgastada, onde conseguia-se ler apenas A última hora, em baixo-relevo. Em seu interior, as páginas amareladas estavam em branco, exceto por alguns versos, escritos à mão, na última página.. Lenta, lenta hora. Em tudo ecoa Alma que se ignora Tudo é tão doente Um pesadelo que se sente De si próprio ausente E ainda ela bate à porta Lenta, lenta Hora morta Que haja piedade Bruma e ocaso que invade Hora vazia e sem vida E sombria e perdida Em agonia que não se conforta Lenta, lenta Hora morta. O sino do relógio então o retirou do estado absorto em que ficou após examinar o conteúdo da mala. Onze horas. Deveria se preparar para ir embora. No entanto, [116]