Revista LiteraLivre edição especial - 03 | Page 103

LiteraLivre Edição Especial nº 03 - 2019 O cientista que era judeu sabia bem isto pois havia interpretado sua parte que segundo ele parecia aludir a algo como ‘a luz do alvorecer apenas irá raiar contra o mal comum...’. O que se seguia estava em sumério que graças aos conhecimentos da arqueóloga que era Vera Sofia, minha amada esposa, calhou de interpretar. — “A luz do alvorecer, apenas irá raiar contra o mal comum,... quando todos povos derem as mãos ante o brilho...” — “...do amor que desvelará o mal oculto.” — Completou Nassob que sabia a outra parte que estava em árabe. — Sou eu, eu sou um herói, um amor! Um homem amável e cheio de honra! — Proferiu o homem sem se quer reconhecer- se em seus próprios atos desprezíveis. — A porta fora feita para mim! E com ela aqueles que destruíram outrora meu grupo naquele mundo ordinário terá a vingança que merecem sofrer! Apesar disso o imperador ficou perplexo pois não compreendia bem o que aquilo significava ainda que por décadas buscasse as peças que faltasse para interpretar a mensagem da porta que parecia pouco dizer sobre como abri-la. Um dos vassalos curvado ao fitar apenas o chão em reverência aquele crápula ajeitou uns óculos no rosto e lhes deu um papel que agora completava toda mensagem que dizia. “Finda a noite será quando a luz do alvorecer apenas irá raiar contra o mal comum quando todos os povos derem as mãos ante o brilho do amor que desvelará tal mal oculto. Assim o trono do novo governante será a Verdade, sua coroa a Paz, e seu cetro o Amor.” Quando li aquela frase completa em voz alta mesmo os escravos de outras civilizações de muitos tempos que lá convergiam ficaram abismados ao observarem que uma luz intensa emergia da porta o qual as pedras agora pareciam como lâmpadas acessas num fulgor agradável a visão humana. Aquela luz, todavia, dissipou as sombras daquele facínora sobre seus oprimidos ainda que ele parecia esperançoso de quem sairia triunfante de suas iniquidades atrozes contra os mesmos. A porta não era grande, todavia o selo que aparentava ter falhou dando uma brecha para que eu a abrisse. Em seu interior parecia estranhamente maior do que aparentava do exterior ao imanar uma luz suave cuja brancura trazia paz. O imperador desceu rapidamente afim de adentrar a porta ainda que sem saber o que lhe aguardava e muito menos tenha sido aberta por ele, mas que ao adentrar aquela luz parecia engoli-lo tornando-o gradualmente em pó, mas não sem antes se contorcer de dor. O homem agora agonizante parecia ter visto o que outrora afligiu ele e a gente dele, o que justamente estava fadado a derrota- [100]