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LiteraLivre Edição Especial nº 03 - 2019
Mesmo que tenhamos o respondido, de que teríamos vindo ter com os
prisioneiros, um dos homens riu de modo debochado até permitir passagem.
Deram passagem até que fitamos um trono no alto de uma pirâmide iluminada
por uma luz que lançava grandes sombras sobre os visitantes e onde o homem
lá do alto os fitou com desprezo.
Eis então que ele se ergueu imponente e dando passos à frente, não sem
antes alguns de seus escravos se abaixarem deitando no chão para que o homem
passasse por sobre eles, como tapete, pois o significado de sua vida estava em
torná-los insignificantes, presos num niilismo de aflições, medo e dor que como
drogas consumiam suas vidas.
— Enfim vieram! — Vociferou o homem gargalhando ao fita-los mais de perto
como se esperasse por nossa presença.
Sem saber do que falava aquele iníquo sociopata tão logo ele fez sinal para
seus vassalos que lhes mostram os ditos cientistas do século XXII que estavam
detidos em celas como a de animais. Os cientistas por sua vez nos fitaram com
não menos perplexidade ao notarem que na realidade nós que teríamos vindo
resgatá-los sem saber que seria, na realidade, o escolhido que abriria a dita
porta que por imemoráveis anos nunca conseguiu ser aberta.
— Lhes proponho um negócio, abra-me aquela porta e os libertarei junto aos
cientistas. — Falou o imperador com ares presunções de superioridade arrogante.
— Não faça isso, Joel! — Vociferou um dos homens presos que
misteriosamente sabia o meu nome.
Sem saber o que dizer e fazer permaneci paralisado incrédulo ante aquilo.
Uma porta imponente se erguia de modo emblemático diante de nós. Adornada
com gravuras incrustadas que remetiam a várias civilizações humanas detinha
traços de egípcios, maias, incas, sumérios e mesmo judeus. Ela era dourada
sendo cravejada de pedras de raro valor, pedras das quais minha esposa muitas
vezes não conseguia identificar como se fosse gemas de geografias inéditas ao
conhecimento terrestre de nosso universo.
Assim parados diante dela a fitamos minunciosamente na busca de
compreender o que significava a inscrição, mas aquele conhecimento perdido que
parecia ser cumulativo de várias civilizações era de parco conhecimento ao nosso
intelecto. Ruborizado de temor ante a situação o silêncio fúnebre fora apenas
interrompido quando um dos cientistas disseram.
— A mensagem da porta está gravada de modo que cada língua se
demonstra uma parte específica. Parece que fora feita para ser aberta apenas
quando todos os povos se unirem contra um mal comum.
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