Revista LiteraLivre 3ª edição | Page 86

LiteraLivre nº 3 mas não me respondia, não dava a mínima, até o momento em que a Irmã lhe aplicou qualquer coisa, dando um sossego nele. Quando eu menos esperava, e ajudada por outra Irmã, a Irmã Catarina veio com um avental de chumbo e me vestiu com aquilo, aquela coisa pesadona que só vendo, e que parecia maior do que eu. - Si, o sinhore vai me ajudar a fazer o raio-x! Entre orações e súplicas, obedeci. A notícia correu solta, e em todas as ruas por onde eu andava o assunto eram as chapas que eu batera do velhinho, o roceiro chifrado por uma vaca parida de novo. Ainda por cima, ele era surdo-mudo, poverino! – como dizia a Irmã Catarina -, e eu não sabia. E ninguém também sabia, nem mesmo as Irmãs, que o Seu Barbosa era epilético, um segredo que ele vinha guardando a sete chaves. Mas a sua dedicação aos doentes e a vontade de lidar com o raio-x suplantaram em muito os incômodos que a enfermidade lhe causava... 80