LiteraLivre nº 3
mas não me respondia, não dava a mínima, até o momento em que a
Irmã lhe aplicou qualquer coisa, dando um sossego nele.
Quando eu menos esperava, e ajudada por outra Irmã, a Irmã
Catarina veio com um avental de chumbo e me vestiu com aquilo,
aquela coisa pesadona que só vendo, e que parecia maior do que eu.
- Si, o sinhore vai me ajudar a fazer o raio-x!
Entre orações e súplicas, obedeci.
A notícia correu solta, e em todas as ruas por onde eu andava
o assunto eram as chapas que eu batera do velhinho, o roceiro chifrado
por uma vaca parida de novo. Ainda por cima, ele era surdo-mudo,
poverino! – como dizia a Irmã Catarina -, e eu não sabia.
E ninguém também sabia, nem mesmo as Irmãs, que o Seu
Barbosa era epilético, um segredo que ele vinha guardando a sete
chaves.
Mas a sua dedicação aos doentes e a vontade de lidar com o
raio-x suplantaram em muito os incômodos que a enfermidade lhe
causava...
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