LiteraLivre nº 1
quatro horas e quinze minutos, já estava na varanda, com um livro nas mãos. O livro era
somente para disfarçar, que naquele estado, ele não conseguia concentrar em nada.
Assim, ficou por quase cinco horas. Não se levantou nem para ir ao banheiro.
Por volta das nove horas, outro carro foi estacionado logo atrás do carro da
morena. O coração de Vicente começou a borbulhar. Quem seria? Marido? Namorado?
Mas desceu uma mulher. Dessa vez, feia, mais velha. Vicente parou de olhar para ela
quando ouviu o barulho do portão da casa em frente se abrindo. A sua divindade estava
saindo. Mais linda do que no dia anterior. Ela caminhou em direção à mulher que havia
chegado, abraçou-a e beijou-a na boca, deixando transparecer algo bem maior que uma
paixão, mas sim amor, ternura. Vicente não sabe o porquê, mas naquele momento sentiu
uma estranha leveza.
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