Revista LiteraLivre 19ª edição | Página 88

LiteraLivre Vl. 4 - nº 19 – Jan./Fev. de 2020 tempo denominou como um sonho. Ainda que tivesse garoa lá fora, eu preferia abrir essa gaiola, e poder voar igual uma andorinha da sua tatuagem nas costas. Não esqueças meu nome, quem eu sou, e o porquê estou aqui. Só um novo começo pra iniciar todo esse calor, não me deixa cair. Não queria demorar tanto tempo pra te falar isso. Mas esse filme se repete, igual um vinil riscado. Do qual a agulha fica pulando de forma ensurdecedora em minha mente, só eu fechar os olhos. Basta eu fechar os malditos olhos e lembrar que você esteve tão perto assim, tão encostada, tão dentro de mim. Enquanto os lábios se mexiam vagarosamente, o céu ia despencando devagar. O vento entrava pela janela, anunciando que não somos impermeáveis ao que sentimos. Tenho medo de te assustar, tenho medo de te afastar. Não quero ser exagerado, mas eu nunca vi pessoa tão bela assim. Por favor… não foge de mim. Devia ter ficado, devia ter ficado mais tempo. Estava tão longe de casa, algumas coisas e decisões precisam ser tomadas. Fui embora, precisava. Aquele elevador se fechando, e eu te perdendo de vista. Você me lembrando: "me avise quando chegar", mas eu já tinha chegado. Sempre com o seu jeito, tão animada. Nunca vou me esquecer daquele andar, nessa rua calma. [85]