Revista LiteraLivre 19ª edição | 页面 87

LiteraLivre Vl. 4 - nº 19 – Jan./Fev. de 2020 Mas por mim já seria protagonista desse filme ainda nos créditos iniciais, começaria nesta cena e voltaria sempre atrás. Rebobinando as lembranças pra te trazer no meu presente. Poder de volta sentir o teu beijo, sentir o teu cheiro, a sua luz dentro do olhar. Especialmente se você se lembrar do que falei pra te encantar. Estava frio, mas eu te abraçava, e assim o vento cortava igual a uma lâmina de barbear. A noite sangrava pela sombra dos arranha-céus. Costurando as ruas desconhecidas e sem nome, procurava te conhecer um pouco mais. Sabendo que eu deveria te cuidar agora, que eu me provei diferente dos outros. Entretanto ainda me engano, pensando que posso fazer você dizer tudo o que eu queria ouvir. Tropeçando em caixas de cigarros vazias, ou que seja, teus lábios ainda tinham gosto de cerveja. Cada loja aberta que a gente passava, entrava, procurando algo pra poder fazer. Escutavam nossas falas a quadras de distância. Cada piada sem graça que te contava, mais você dava risada, não sabia mais onde esconder a cara que sem fôlego ficava. De mãos dadas a gente andava. Rumo que só você sabia, caminho que só você trilhava. Mesmo um pouco longe de si, se lembrava: onde morava. Eu vi as estrelas do seu teto, a lua caída sobre a luminária. O céu está ruindo e caindo aos pedaços e eu só pensava em te olhar. Foi bom te conhecer, foi bom falar com você. Meu nome ficou na sua parede, estampado de giz em um quadrado, no canto. Espero que fique também em seu coração marcado, igual uma cicatriz que o [84]