Revista LiteraLivre 19ª edição | Page 217

LiteraLivre Vl. 4 - nº 19 – Jan./Fev. de 2020 William Fontana Rio de Janeiro/RJ Paz Negra Os poucos resistentes que viviam escondidos e excluídos numa condição existencial simplória pareciam lutar para manter a sanidade ante a resiliência da ignorância dos dominadores na chamada Nigrum Pacem ou Nigrum Pax (Paz Negra). A desigualdade era o normativo pela inversão da polarização que destituía mesmo as palavras de seu significado originalmente semântico numa ambiguidade que tornava nebulosamente cinza a verdade e a razão. Na equação do distópico do mal independente dos fatores o resultado sempre será o sofrimento, destruição ou morte do fraco e do oprimido. Em última análise era uma Kakistocracia que conseguia reunir uma síntese dos mais nocivos elementos e fatores socialmente abióticos do totalitarismo, comunismo e fascismo numa junção do pior de dois lados. Um charco de moralismo senil escorada em sofismas, demagogias e falácias e sustentada sobre uma fachada de opulento pseudointelectualismo. O horror habitava nas entrelinhas levando as pessoas furarem o próprio tímpano afim de não ouvirem o perturbador ruído terrífico em seus implantes auriculares, mas quando elas encontravam a origem do sinal ficavam tão chocadas que se matavam, pois fitar o âmago da loucura do mal era ainda mais terrífico de modo que muitos desmaiavam ou enlouqueciam. Sophie Smith, a líder da resistência que era detida nas invisíveis paredes do niilismo daquela ineptocracia espúria sob constante humilhação e calúnia reunia dados capitalizados ao longo de anos de investigação desde quando a humanidade capitulou aos inimigos que lutavam contra tudo que assim nos fazem humanos. Numa tentativa de uniformizar todos, uma vez que a equidade na diversidade era impossível ao tornar adversidade por estes, o governo promovia um programa de despigmentação de pele oferecida aos negros afim de curar o mundo da doença 'afro' que leva a milhões de vítimas no mundo, onde os páreas e discriminados em geral deveriam mudar para não sofrerem o mal ou serem obrigados a sobreviverem em guetos onde os demais discriminados por temerem serem hostilizados na rua eram monitorados e controlados dia e noite para a "própria segurança". Em paralelo a isso existia a terapia genética para se livrar das "impurezas hereditárias" das raças asiáticas, afro e judaicas assim como era [214]