LiteraLivre Vl. 4 - nº 19 – Jan./Fev. de 2020
William Fontana
Rio de Janeiro/RJ
Paz Negra
Os poucos resistentes que viviam escondidos e excluídos numa condição
existencial simplória pareciam lutar para manter a sanidade ante a resiliência da
ignorância dos dominadores na chamada Nigrum Pacem ou Nigrum Pax (Paz
Negra). A desigualdade era o normativo pela inversão da polarização que
destituía mesmo as palavras de seu significado originalmente semântico numa
ambiguidade que tornava nebulosamente cinza a verdade e a razão. Na equação
do distópico do mal independente dos fatores o resultado sempre será o
sofrimento, destruição ou morte do fraco e do oprimido. Em última análise era
uma Kakistocracia que conseguia reunir uma síntese dos mais nocivos elementos
e fatores socialmente abióticos do totalitarismo, comunismo e fascismo numa
junção do pior de dois lados. Um charco de moralismo senil escorada em
sofismas, demagogias e falácias e sustentada sobre uma fachada de opulento
pseudointelectualismo. O horror habitava nas entrelinhas levando as pessoas
furarem o próprio tímpano afim de não ouvirem o perturbador ruído terrífico em
seus implantes auriculares, mas quando elas encontravam a origem do sinal
ficavam tão chocadas que se matavam, pois fitar o âmago da loucura do mal era
ainda mais terrífico de modo que muitos desmaiavam ou enlouqueciam.
Sophie Smith, a líder da resistência que era detida nas invisíveis paredes
do niilismo daquela ineptocracia espúria sob constante humilhação e calúnia
reunia dados capitalizados ao longo de anos de investigação desde quando a
humanidade capitulou aos inimigos que lutavam contra tudo que assim nos
fazem humanos.
Numa tentativa de uniformizar todos, uma vez que a equidade na
diversidade era impossível ao tornar adversidade por estes, o governo promovia
um programa de despigmentação de pele oferecida aos negros afim de curar o
mundo da doença 'afro' que leva a milhões de vítimas no mundo, onde os páreas
e discriminados em geral deveriam mudar para não sofrerem o mal ou serem
obrigados a sobreviverem em guetos onde os demais discriminados por temerem
serem hostilizados na rua eram monitorados e controlados dia e noite para a
"própria segurança". Em paralelo a isso existia a terapia genética para se livrar
das "impurezas hereditárias" das raças asiáticas, afro e judaicas assim como era
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