Revista LiteraLivre 19ª edição | Page 211

LiteraLivre Vl. 4 - nº 19 – Jan./Fev. de 2020 casal e ficaram horrorizados com o que viram. Ali estavam só os ossos, que julgaram serem do marido de Jussara. Jussara na fuga, não percebeu que quem atacou o seu marido foi sua própria filha. Por isso, estava preocupada com Mônica. Queria saber onde ela estava. Os vizinhos ficaram com medo de entrar na casa. Mas como Jussara estava muito preocupada com a filha, acabaram cedendo. Entrou Jussara, o velho Ramon e o seu filho Luís Otávio. Os outros ficaram esperando do lado de fora. Tudo na casa estava terrivelmente silencioso. Passaram pela sala, a cozinha, quando chegaram no quarto de Mônica, as luzes se apagaram e algo pulou no velho Ramon. Jussara e Luiz Otávio tentaram salvá-lo, mas a porta do quarto se fechou e eles só ouviram seus gritos e viram o sangue escorrendo por debaixo da porta. Era tarde demais. Jussara e Luiz Otávio saíram rapidamente da casa. Jussara estava desesperada, pois seu marido estava morto e sua filha havia desaparecido. Retornaram para a casa dos vizinhos e contaram o acontecido a todos. Ninguém sabia o que estava acontecendo. O que podia ser isso que comia seres humanos? Vó Gertrudes, sentada no seu velho banco de madeira, já desgastado pelo tempo, começou a contar um causo, de que muito antigamente, uma moça que lavava roupas neste rio que passa aqui no fundo de casa, encontrou um colar muito bonito. Entrou no rio, apanhou esse colar e colocou no pescoço. Mas não deu outra, quando foi à noite, a moça devorou a irmã que dormia na cama ao lado. Os pais levantaram com os gritos da menina para ver o que era, quando chegaram no quarto se depararam com uma irmã comendo a outra. A moça atacou a mãe também. O pai conseguiu fugir com os outros irmãos. Mas a moça continuava na casa e passou a atacar as casas vizinhas, e a comer gente e mais gente. O povo tudo ficou muito assustado. Alguns começaram a mudar da região. Até tentaram lutar contra a moça, mas o colar a deixava muito ágil e forte. Não tinha homem que conseguia segurar ela. E a moça continuou a comer gente. A população foi atrás do padre e ele disse que eles deveriam encontrar a madrinha de representação da moça. Ela deveria se aproximar da moça rezando a oração do credo, com um copo de água benta. Jogar a água benta na moça e assim retirar o colar. Procuraram a tal madrinha, que fez o que o padre mandou e a moça foi despossuída do espírito do colar. Dizem que enterraram esse colar no alto daquela serra. Então, as pessoas perceberam que a serra tinha sido desmatada e plantado pasto no lugar. Jussara se lembrou do colar que a filha encontrou no rio. Devia ser esse colar que foi trazido pela enxurrada até o rio. Contou sobre aos vizinhos. Nesse momento, a porta começa a ser quebrada com machadadas. As pessoas ficam com medo. Algumas pulam a janela. A vó Gertrudes não consegue ser tão rápida, é pega por Mônica e devorada ali mesmo. [208]