LiteraLivre Vl. 4 - nº 19 – Jan./Fev. de 2020
Robison Sá
Porto da Folha/SE
O Abraço da Navalha
Um raio de sol rebelde invadiu o quarto de Luiza naquela manhã de domingo.
Ela se vira para o lado oposto da cama e finge que o dia ainda não havia raiado.
A luz a incomodava.
— Luiza? — chama Carla, sua mãe.
O silêncio persistiu no quarto.
— Já são quase oito da manhã — insistiu sua mãe.
Naquele momento, Luiza colocava sua mente para vaguear e, apesar da
presença corporal no quarto, o seu verdadeiro eu não estava mais ali. Esses
últimos dias estavam sendo difíceis. Além da separação dos seus pais, o seu
namoro havia acabado sem muitas explicações.
— Não dá mais, Luiza — disse Roberto, seu namorado. — Podemos ser
amigos, caso queira — concluiu.
Depois disso, eles não voltaram mais a se falar. A mágoa de Luiza era grande
demais para procurá-lo e aceitar o seu pedido de amizade. Ela não via motivos
para esse término abrupto. Já não bastava o encerramento do casamento dos
pais? As dores em seu coração eram tantas que, às vezes, não podiam ser
percebidas pelo seu cérebro.
— Já estou indo, mãe — ela, enfim, respondeu.
Luiza era uma jovem de 14 anos de idade, de estatura mediana, cabelos
escorridos e loiros, olhos ligeiramente esverdeados, corpo de contornos
invejáveis e dona de um rosto hipnotizante. No seu colégio, ela nunca foi uma
garota popular. Possuía poucas amizades e gostava mais de ficar sozinha.
— O que temos hoje para o café, mãe? — falou ao passar pela cozinha.
— Torradas, pasta de amendoim, café e suco de manga — respondeu-lhe a
mãe.
Embora sorridente, a face de Luiza não revelava o seu verdadeiro estado de
espírito.
— Vou ao banheiro, mãe. Volto já.
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