LiteraLivre Vl. 4 - nº 19 – Jan./Fev. de 2020
Ricardo Moncorvo Tonet
Amparo/SP
Perdir
Todo o sábado, nos dias que não tem jogo, levanto cedo para levar meu filho
para o treino de futebol. Vida de mãe que trabalha fora durante todos os dias
úteis da semana não é nada fácil! Assim, no final de semana procuro estar mais
presente na vida familiar, especialmente do filho atleta!
Eu fico lá, grudada no alambrado acompanhando cada passo do futuro
craque, desde o aquecimento até os treinos específicos de finalização, no time
sub – 11 do time da cidade.
Uma hora e meia, duas horas depois ele volta radiante para o carro, feliz da
vida, sonhando com um dia chegar a ser um jogador profissional.
Depois de algum silêncio no carro, apenas com uma rádio que tocava alguma
música sertaneja do momento, meu filho fala:
— Mãe, quando eu for um jogador profissional, possivelmente quando eu trocar
de clube, um clube maior, de maior expressão nacional eu vou ter que mudar...,
mas vou dar um jeito de levar você comigo!
Fiquei lisonjeada! E respondi:
— Que alegria meu filho, eu quero estar sempre ao seu lado e acompanhando
seu sucesso!
No que ele respondeu:
— Mas primeiro, vou ter que falar com minha namorada!
Falar o quê nesse momento..., contei até dez para não soltar um palavrão e
apenas sorri..., um sorriso amarelo.
Meu filho de dez anos ficou ali nos seus sonhos..., e eu com esse sentimento
de mãe, que sabe que o filho um dia vai voar..., mas nunca está preparada para
aceitar.
OBS: Por incrível que pareça, crônica baseada em fatos reais!
https://ricardomoncorvotonet.blogspot.com/
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