LiteraLivre Vl. 4 - nº 19 – Jan./Fev. de 2020
— Oh, que bonito!... Quem é você mocinho, como se chama!... Eu sou a Lili.
– e logo passou a mão em sua cabeçorra acariciando-a.
Ah, o rabo do Salomão só faltou pular fora do corpo de tanto que balançou,
mais parecia um para-brisa em tempo de tempestade, de tanta alegria.
— Meu nome é Salomão...
— Oh, mas que nome tão esquisito para um cachorro tão lindão!..
— (Ah, lá vem os preconceitos de novo). – balbuciou Salomão, mas engoliu
seco e disse – Estou procurando emprego, então eu vi esse seu jardim tão
depauperado e resolvi me oferecer para aquelas rosas como jardineiro. Elas
falaram para eu falar com a senhorita.
— Oh, mais que gentil, que amável! Principalmente vindo de um cão tão
charmoso!... Mas o meu caso é tão sério quanto o seu. Eu também estou
desempregada, por isso que meu jardim está tão maltratado... Mas se você não
se importar de trabalhar só por comida, dormida, um banho gostoso todo dia e
muito carinho... O emprego é todo seu!
Salomão, mais uma vez, agitou o rabo como nunca e falou bonito como
nunca:
— Oh, amabilíssima dama, como bem disse Epicuro:
“Tu, que não és senhor do teu amanhã, não adies o momento de gozar o
prazer possível! Consumimos nossa vida a esperar e morremos empenhados
nessa espera do prazer.”
E pelo que sinto, chegou à hora de esquecer as amarguras da rua e vir para
dentro de casa! É aqui que viverei de muito gosto neste mar de rosas!
E disse para consigo mesmo: “Para aquilo que não se pode ser a gente olha
através.”
.
https://www.facebook.com/pauloluis.ferreira.5
[169]