LiteraLivre Vl. 4 - nº 19 – Jan./Fev. de 2020
Adriana tinha certeza de que havia deixado sua mãe na porta do consultório.
Resolveu verificar. Ligou para lá e a atendente confirmou que Sílvia havia estado
lá naquela manhã. A jovem ficou intrigada sem saber qual o motivo que estaria
levando sua mãe a esconder que fora ao médico. Estaria ela com alguma doença
séria e não queria dizer nada para não preocupá-la?
Na manhã seguinte foi, pessoalmente, conversar com o médico. Doutor Vitor
tranquilizou-a. Estava tudo bem. Os exames estavam ótimos, dentro do
esperado. Então, por que ela teimava em dizer que não havia saído? Aquilo era
muito estranho.
Dias mais tarde, antes de sair para o trabalho, Adrina avisou que traria umas
amigas da faculdade para fazerem um trabalho em grupo e pediu que a mãe
preparasse um lanche para recebê-las.
À noite, ao ver a filha chegar com as amigas, Sílvia mostrou-se surpresa e
reclamou por não ter sido avisada.
Adriana ficou pensativa e não conseguia concentrar-se no trabalho. Tinha
certeza de que naquela manhã, antes de sair, avisara à mãe sobre a vinda das
amigas e agora ela parecia não saber de nada.
Sílvia sempre tivera boa memória. Era só começar a falar de festas, de
namorados, ou de fatos da infância, que ela vinha com suas histórias. Lembrava-
se de tudo, nos mínimos detalhes. Até da cor da roupa que usava em cada
ocasião. E agora, aqueles esquecimentos assim tão freqüentes, estavam
deixando Adriana preocupada.
Terminados os trabalhos, a jovem despediu-se das amigas e foi até a
cozinha. Não encontrou ninguém. Procurou na sala e Sílvia também não estava
lá. Procurou pela casa toda e não a encontrou em lugar algum. Aquele
desaparecimento a estava deixando muito preocupada. Aquilo não era normal.
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