Revista LiteraLivre 19ª edição | Page 100

LiteraLivre Vl. 4 - nº 19 – Jan./Fev. de 2020 O padre, pensou consigo mesmo: “Graças!” Foi o padre Bento que interpelou: “ – Oh menino!” O garoto respondeu: “– diga lá seu padre!” “Me responda”. Disse o padre: “Esse rio é fundo?!” O menino, sem mudar qualquer expressão facial, respondeu: “- Fundo?!” E continuou: “- seu padre, o gado do meu pai, atravessa com água ‘pelos peitos!” O padre, aliás, o pobre padre, fez o sinal da cruz! E: “obrigado, meu filho!” “De nada seu padre!” Em seguida foi lá o padre Bento seguir seu caminho. Aproximou-se do rio, pegou nas pontas da batina colocou o primeiro pé na água, quando deu o segundo, abruptamente afundou até o pescoço. Felizmente, tempo suficiente de ainda conseguir retroceder e dar um passo para trás, demonstrando uma agilidade incomum para um homem de sua idade. A necessidade? Talvez! Esbaforido, molhado, saiu da água e foi em direção ao moleque atrevido e foi advertindo: – “Moleque, você não falou que o gado do seu pai, atravessa esse rio com água pelos peitos, oh bendito?!” O moleque, respondeu: “- mas, é verdade, seu padre e tô tomando conta deles ali oh! São aqueles patos que a gente chama de gado!” O padre saiu amaldiçoando, andando pelas margens do rio para ver se mais abaixo, conseguiria encontrar alguma ponte, para poder seguir viagem! [97]