Revista LiteraLivre 17ª edição | Page 96

LiteraLivre Vl. 3 - nº 17 – Set./Out. de 2019 Gerson Machado De Avillez Rio de Janeiro/RJ O Império de Tendor Fora num dia como aparentemente outro qualquer que naquela trilha parecia subitamente me perder sem saber que na verdade acharia o inteligível inefável aos mortais oriundos de meu mundo. Tudo teve início quando os metros pareciam terem se tornado quilômetros como se uma dilatação no espaço-tempo tivesse se acometido das curtas e distâncias. Todavia, mediante a aparente desorientação, mesmo a bússola na verdade apontava para o âmago do desconhecido. Apenas eu e minha amada sentiam o rubor ante a possibilidade do rumor como predecessor do mito de uma cidade outrora perdida como nós na trilha. Mas para achá-la teríamos que nos perder. Testemunhos antigos de pilotos da 'Esquadrilha da Fumaça' afirmava que mesmo estes teriam fitado uma cidade a qual alguns se referiam por 'El Dorado' ou 'Akakor', rumores incomprovados pelo improvável ante uma civilização cética. Mas desde a antiguidade se falava de lugares incógnitos presentes em míticos mapas, de ilhas como 'Hi Brazil' ou 'Mu' a uma cidade europeia que aparecia apenas em adventos próprios. Mas doravante o que se descortinava ante nossos olhos era mais surpreendente que a mais reluzente ficção. Como o velho ancião que no caminho prenunciava de forma agourenta um mítico império de aflições ao proferir antes de desaparecer nas brumas matinas da floresta a seguinte frase: "Há não somente o espaço entre espaços, mas o tempo entre tempos, se possível eras espremidas entre um segundo e outro." Proferiu o homem que trajava aparentemente roupas medievais totalmente deslocadas de nosso tempo. De fato, as discrepâncias presentes no GPS de nossa modesta expedição eram atestadas como de procedência intemporal ao criar o que parecia ser uma defasagem, como se aquele lugar fosse uma expansão do espaço dentro do espaço de modo que o caminho mais curto de um ponto a outro não era uma reta, mas uma curva. De certo as leis fundamentais da física pareciam diferentes de modo que medidas simples pareciam levar a discrepâncias físicas e matemáticas como se 1+1 não fossem dois. Paramos diante de uma clareira quando fitamos um forte vento que parecia ser delimitado por uma muralha invisível. De um lado as árvores ululantes dançavam num frenesi incompreensível do torpor estagnado de onde estávamos, isso até que num rompante ao darmos um passo à frente fomos acometidos por [93]