Revista LiteraLivre 17ª edição | Page 73

LiteraLivre Vl. 3 - nº 17 – Set./Out. de 2019 Davi da Motta Rio de Janeiro/RJ Hilário A vida é uma piada, disso eu não tenho dúvida. Mas se ela é engraçada, bem, ai depende do seu senso de humor. Para mim ela é hilária. Você acorda num domingo de manhã, sem nenhuma vontade de acordar, mas, mesmo assim, seu corpo desperta. Você ainda rola de um lado para o outro tentando voltar ao sono, mas falha. Então levanta para botar o café para passar e levar o cachorro para passear. Você nem queria aquele cachorro, foi sua companheira que insistiu, mas você acabou se apegando ao pequeno filho da puta, e se deu conta disso subitamente enquanto aqueles olhos inocentes te observam catar a merda no chão. Depois desse ritual, você se senta para ler o jornal, reclama da economia mesmo não entendendo porra nenhuma e xinga um ou dois políticos. E assim as horas passam até a sua companheira reclamar do almoço. “O que vamos almoçar?”. Não tem nada pronto e já é tarde, ela então te dá a missão de ir no mercado comprar alguns ingredientes para fazer um almoço rápido. Você recebe uma lista, porque, aparentemente, você não é inteligente o suficiente para lembrar a lista de cinco itens. Você pega a lista reclamando e vai para o mercado. Lá você reclama mais ainda porque não conseguiu lembrar de todos os cinco itens e ter que usar a porra da lista. Mas o pior de tudo é a fila, tem mais gente na fila que produto na prateleira. “Até ser atendido vai ser a hora da janta. Próxima vez trago um fogão de acampamento e faço o almoço na fila mesmo.” Revoltado você dá meia volta e retorna para casa com a cara amarela e uma proposta para sua patroa. “Que tal almoçarmos na rua, vamos em algum restaurante ou coisa assim?”. Ela topa, claro. Então você sai de casa e pega o carro, enquanto liga o motor pensa no IPVA que não está pago e, consequentemente, o licenciamento que está atrasado. Você ia pagar mas decidiu comprar aquela smart TV nova, e quando a luz aumentou, a prestação pesou, e o IPVA ficou para depois. “Que se foda, vou num restaurante aqui perto, não [70]