LiteraLivre Vl. 3 - nº 17 – Set./Out. de 2019
Fadas, doendes, magos e morcegos que
não viram vampiros Nem espírito santo, amém
Nunca votei para mudar o Brasil Nem entrei, arre!
Muito menos votei a favor da pátria Evidentemente não fiz nada grandioso Em uma tabacaria de Lisboa sábado à
tarde
Recusei as grandes composições e os
bons vinhos Não deixarei legado para a filosofia
nem para as Artes
Mas também não compus Nem qualquer exegese de grande
autor
Tampouco me especializeis nos sabores
e degustações
Não há datas que comemoram minha
História
Nenhuma
adereços
estátua,
nem
alegorias
e
Não constitui família
Meu nome não aparece em nenhuma
enciclopédia
(Não só porque
conheceu)
Diderot
não
me
Ninguém me conhece
Menos ainda um Samba-Enredo à la
Verde e Rosa Nunca fiz juras de amor
Não contribui para marcas e algoritimos Nem chocolates no outono
Nem alterei o Estado da Arte Não assinei obras, nem cronologias Tampouco condecorações da Polícia
Militar
Nunca serei motivo do silêncio antes do
apito inicial Não vi uma folha cair de uma árvore
ao entardecer
Tampouco serei o silêncio das trevas ou
da dor Nem apareço no diário de qualquer
adolescente
Ou quem perambula entre um som e
outro Advirto contra qualquer
conte meus feitos
(Ouvi dizer de uma moça uma vez: Mesmo o livro que profane meus
defeitos
Que Deus perambula entre um som e
outro)
Sei que Deus também não fui
Nem recebi flores na primavera
livro
que
Nunca falei a verdade
Mas agora há um poema sobre mim
Nem estou em todas as coisas com ele
de mãos entrelaçadas
www.medium.com/@cbisc8
[53]