Revista LiteraLivre 17ª edição | Page 56

LiteraLivre Vl. 3 - nº 17 – Set./Out. de 2019 Fadas, doendes, magos e morcegos que não viram vampiros Nem espírito santo, amém Nunca votei para mudar o Brasil Nem entrei, arre! Muito menos votei a favor da pátria Evidentemente não fiz nada grandioso Em uma tabacaria de Lisboa sábado à tarde Recusei as grandes composições e os bons vinhos Não deixarei legado para a filosofia nem para as Artes Mas também não compus Nem qualquer exegese de grande autor Tampouco me especializeis nos sabores e degustações Não há datas que comemoram minha História Nenhuma adereços estátua, nem alegorias e Não constitui família Meu nome não aparece em nenhuma enciclopédia (Não só porque conheceu) Diderot não me Ninguém me conhece Menos ainda um Samba-Enredo à la Verde e Rosa Nunca fiz juras de amor Não contribui para marcas e algoritimos Nem chocolates no outono Nem alterei o Estado da Arte Não assinei obras, nem cronologias Tampouco condecorações da Polícia Militar Nunca serei motivo do silêncio antes do apito inicial Não vi uma folha cair de uma árvore ao entardecer Tampouco serei o silêncio das trevas ou da dor Nem apareço no diário de qualquer adolescente Ou quem perambula entre um som e outro Advirto contra qualquer conte meus feitos (Ouvi dizer de uma moça uma vez: Mesmo o livro que profane meus defeitos Que Deus perambula entre um som e outro) Sei que Deus também não fui Nem recebi flores na primavera livro que Nunca falei a verdade Mas agora há um poema sobre mim Nem estou em todas as coisas com ele de mãos entrelaçadas www.medium.com/@cbisc8 [53]