Revista LiteraLivre 17ª edição | Page 266

LiteraLivre Vl. 3 - nº 17 – Set./Out. de 2019 Wender Gonzaga da Silva Itaguaí/RJ João Augusto Atirou pela janela o pobre gato. João Augusto, felino agregado. Certo dia simplesmente apareceu, sem consentimento ou aviso prévio, foi logo ocupando no sofá o lugar onde tio João assistia novela. Foi ódio à primeira vista. Os dois se tornaram rivais tão apaixonados que logo as crianças trataram de batizar o felino em sua homenagem: assim nasceu João Augusto, o gato. Tio João tentou ser pacifista, e apesar de nunca ter gostado de gatos, tratou muito bem o seu xará. Mas o ódio do felino era incondicional. Era amigável com todos ao redor, mostrava as presas apenas para tio João. Não havia documento ou utensílio que João Augusto não destruísse, desde que pertencesse a tio João, que logo tratou de manter trancado seu quarto e só alimentar o felino no quintal – se mostrava dócil quando faminto – mas logo aconteceu a tragédia. Tarde da noite, tio João se jogou em sua cama, exausto, sem se dar conta do quarto destrancado, não tomou conhecimento do felino que ali repousava. Toda a vizinhança foi acordada. Em meio a cacofonia de presas, socos, gritos e garras, tio João lançou pela janela, noite a dentro, João Augusto, do terceiro andar. Logo a polícia bateu à porta. Quem imaginaria que aquela era sua sétima vida? [263]