LiteraLivre Vl. 3 - nº 17 – Set./Out. de 2019
Wender Gonzaga da Silva
Itaguaí/RJ
João Augusto
Atirou pela janela o pobre gato.
João Augusto, felino agregado.
Certo dia simplesmente apareceu, sem consentimento ou aviso prévio, foi logo
ocupando no sofá o lugar onde tio João assistia novela. Foi ódio à primeira vista.
Os dois se tornaram rivais tão apaixonados que logo as crianças trataram de
batizar o felino em sua homenagem: assim nasceu João Augusto, o gato.
Tio João tentou ser pacifista, e apesar de nunca ter gostado de gatos, tratou
muito bem o seu xará. Mas o ódio do felino era incondicional. Era amigável com
todos ao redor, mostrava as presas apenas para tio João. Não havia documento
ou utensílio que João Augusto não destruísse, desde que pertencesse a tio João,
que logo tratou de manter trancado seu quarto e só alimentar o felino no quintal
– se mostrava dócil quando faminto – mas logo aconteceu a tragédia.
Tarde da noite, tio João se jogou em sua cama, exausto, sem se dar conta do
quarto destrancado, não tomou conhecimento do felino que ali repousava.
Toda a vizinhança foi acordada.
Em meio a cacofonia de presas, socos, gritos e garras, tio João lançou pela
janela, noite a dentro, João Augusto, do terceiro andar.
Logo a polícia bateu à porta.
Quem imaginaria que aquela era sua sétima vida?
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