Revista LiteraLivre 17ª edição | Page 259

LiteraLivre Vl. 3 - nº 17 – Set./Out. de 2019 Vergopolan_Gabriel_Mileski Bituruna/PR Rato de biblioteca Meu ódio que pulsa em meu coração por ti é o amor que pulsa em meu coração por ti. No lado escuro de minha alma prevalece a confusão de sentimentos que guardo como um segredo que somente Deus sabe. Eu tenho tantos segredos que guardo dos dias que o sol e a chuva reinam, tocando almas perdidas e confusas pelas ruas do mundo. Que mundo?! Não, não quero explicar minha confusão. Neste mundo os que guardam segredos são os que mais vivem. Sou um rato que vive em biblioteca procurando uma história de amor para viver. Sou apenas o rato que espera as luzes se apagarem para sair de sua toca, e viver o verdadeiro sentido de amar que sua alma sempre escondeu. Sempre escondemos coisas que nunca vamos viver em plena luz do dia. A noite é o lugar de almas verdadeiras saírem. Ontem eu repousei no banco da praça. O peso de viver sem sentido, sem ser verdadeiro, acaba deixando a vida na rotina que todos vivem. Eu, eu não tenho uma alma verdadeira. Sou o rato de uma biblioteca, que cuja a função é guardar livros empoeirados e somente de possuir história que raras vezes vão ser lidas. Não, não diga que é mentira. Você sabe que história é um passado que sempre revelará o futuro. Eu tenho receio de abrir um livro e deparar com o futuro ou com o meu presente. Eu sei, que livros também podem contar o presente. Eu tinha um amor verdadeiro. Eu somente pensava que tinha... Não! Eu era o rato que amava e silenciava em minha toca esperando esse alguém me salvar, talvez, dar-me uma vida com um sentido. Este amor, dava-me o sentido de sair de minha biblioteca, e procurar viver como alguém que tem um sentido de viver. Tratou-me como a maioria dos humanos tratam os ratos. Desprezo! Apenas uma vida de experimentos para explicar o sentido das coisas que acontecem no mundo que vivemos. Eu... Eu fui o experimento desprezado por este amor. Eu apliquei o amor em minhas veias e não resisti ao veneno que era este amor. Eu gostei, eu simplesmente caí nas armadilhas que este amor me pregava. O amor que no começo me libertou e no final prendeu-me. Não, nunca fui libertado por este amor. Eu me enganei, e, dirigi meu pobre amor para a ribanceira de impossibilidades que estavam em meus olhos. Eu não enxerguei. Não, não, não tenho mais sentido de olhar novamente esse amor. [256]