Revista LiteraLivre 17ª edição | Page 235

LiteraLivre Vl. 3 - nº 17 – Set./Out. de 2019 Rose Paz Niterói/RJ O Poeta O poeta tropeça em pensamentos, engole expressões, ouve sonhos, toca em delírios e grita o lado mais belo de tudo isso. De suas mãos transpiram letras que se arrumam harmonicamente sobre o teclado ou papel. Em torno do poeta existe uma aura soturna, de atmosfera densa, impregnada da euforia de poder materializar o que ainda não foi dito, de expressar o oculto da alma; a outra face do conto. O poeta ama, mesmo sem ser amado. Às vezes não consegue por em verbo falado o que facilmente expõe no escrito. Não é elegante. Deixa isso ao rigor dos versos e seus reversos, para que reverberem em eco no coração dos aflitos e deles saiam lágrimas, manifestem calor, ou o furor dos amantes e seus conflitos. O poeta é a catarse dos inseguros; um manifesto humano diluído em folhas; fonte jorrando sentimentos engarrafados entre as capas de um livro. [232]