LiteraLivre Vl. 3 - nº 17 – Set./Out. de 2019
Rogério Costa
Cornélio Procópio/PR
Paralelos opostos
Que linda aquela gata olhando imóvel pela janela
A menina rancorosa que acha que apenas ela sofreu.
Mal sabe ela dos dias sombrios que me assombraram
Durante esses dez anos que tão lentos se passaram.
Sua primeira noite de amor, a alma entregue à timidez
Nos braços de alguém confuso pela embriaguez da dúvida.
Já chegara a hora? É nesse momento que a insensatez aflora
E a beleza da pureza se esvaia sem levar em conta a lucidez.
Lucidez necessária que adiaria, ou até mesmo impediria
Que aquele momento de prazer se convertesse em dor um dia.
A dor da mágoa que transformou o anjo em demônio
Um demônio envergonhado e corroído por dentro
Assim sou eu, como o doutor Jekyll de Mr. Stevenson
Na luta incessante contra seu Hyde interior, o monstro.
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