LiteraLivre Vl. 3 - nº 17 – Set./Out. de 2019
Reinaldo Fernandes
Brumadinho/MG
Sílvia e Paulo
― Sílvia e Paulo! É isso! - concluiu a namorada.
― Será? o namorado.
― Pode ser Sílvio e Paula.
― Num pode!, o amigo.
― Por que não?, o namorado.
― Porque, se fosse assim, ele é que teria escrito as iniciais. E se fosse ele, o nome
dele, “Sílvio”, viria primeiro. Quem escreve escreve o próprio nome primeiro, é uma questão
de vaidade.
― Isso é verdade... concordou um outro da turma, mas discordou noutro ponto. O
homem num escreve essas coisas, isso é coisa de mulher.
Estavam numa barraca de praia, no Posto 6. Caminhando pela praia, antes de pararem
“para uma gelada”, viram a inscrição na areia, duas iniciais separadas por um X.
― Sandrinha e Pedro!
― Sei não...
― Pode ser: Sandrinha já é nome romântico, a namorada.
― Sei, não!, diz um quinto da turma, sem explicar se discordava que era Sandrinha ou
se Sandrinha é nome romântico.
― Soraia e Parreira.
― Parreira? Que nome mais antigo! Será que ele tem 60 e ela tem 20?
― E se forem baianos? Pode ser Serinalva e Paudicélio.
― Mas podem ser dois adolescentes: Selminha e Pierre.
― Vai ver são de algum aglomerado daqui, quem sabe do Alemão: Shakira da Silva e
Prince Presley.
― Aí tinha que ser S X P X P
― Sãozinha e Pelé.
― Mas Çãozinha não é com c cedilha?
― Deixa pra lá.
― Suellen e Pepe.
― Suzana e Pôncio?
― Pôncio? O Pilatos?
― Silmara e Pitágoras.
― Pitágoras? É mais antigo que Praxedes...
― Silvana e Paco.
Foi quando um casal, mãozinhas dadas, sentado numa mesinha ao lado interrompeu o
papo:
― Gente! Gente! Somos nós, Sélcio e Péricles.
E viveram felizes para sempre.
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