Revista LiteraLivre 17ª edição | Page 221

LiteraLivre Vl. 3 - nº 17 – Set./Out. de 2019 Regina Barros Leal Fortaleza/CE Mulher! Eu senti um gosto de cereja em minha boca sedenta Cortei as rosas brancas para fazer um buque E me presenteei Avermelharam-se com minhas lágrimas de amor distribuído Corri então pelos campos e varri a areia dos meus olhos de esmeralda Ardiam e não me deixavam ver o sol nutrindo a terra de possibilidades. Passei as mãos calejadas de luta pela liberdade na tentativa de romper a escuridão Nas frestas do espaço construído pelas ilusões, adentrei nas bolhas de sonhos coloridos. Encontrei minhas dúvidas cortantes, minhas paixões alucinantes, meu Eu, minha agitação. Vi-me mulher! Combativa! Desiludida. Esperançosa. Laçando esperanças na estrada e com a espada dilacerava a terra em sulcos profundos Forte e frágil, triângulo e quadrado, nada e plenitude. Observei e sorri! Grande e pequena, meiga e cruel, mas mulher. Aí vi a diferença de nem sei o que! Gostei e se eu pudesse nasceria de novo. Com a alma diluída nos fluidos amorosos A feminilidade umedecida de quimera, do complexo e do real. Mulher simplesmente mulher [218]