LiteraLivre Vl. 3 - nº 17 – Set./Out. de 2019
Regina Barros Leal
Fortaleza/CE
Mulher!
Eu senti um gosto de cereja em minha boca sedenta
Cortei as rosas brancas para fazer um buque
E me presenteei
Avermelharam-se com minhas lágrimas de amor distribuído
Corri então pelos campos e varri a areia dos meus olhos de esmeralda
Ardiam e não me deixavam ver o sol nutrindo a terra de possibilidades.
Passei as mãos calejadas de luta pela liberdade na tentativa de romper a
escuridão
Nas frestas do espaço construído pelas ilusões, adentrei nas bolhas de sonhos
coloridos.
Encontrei minhas dúvidas cortantes, minhas paixões alucinantes, meu Eu, minha
agitação.
Vi-me mulher! Combativa! Desiludida. Esperançosa.
Laçando esperanças na estrada e com a espada dilacerava a terra em sulcos
profundos
Forte e frágil, triângulo e quadrado, nada e plenitude.
Observei e sorri! Grande e pequena, meiga e cruel, mas mulher.
Aí vi a diferença de nem sei o que!
Gostei e se eu pudesse nasceria de novo.
Com a alma diluída nos fluidos amorosos
A feminilidade umedecida de quimera, do complexo e do real.
Mulher simplesmente mulher
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