LiteraLivre Vl. 3 - nº 17 – Set./Out. de 2019
Raphael Santos
Rio de Janeiro/RJ
Partida
Olha-me de novo e retira-me
Dos desperdícios em que me compus
Nos sonhos, nas pinturas, nas letras,
nas telas, nos exageros, nos livros e nos poemas.
- Ah... no despojo dos poemas -
Em seu excesso,
Arrasta o teu corpo até às minhas mãos de suicida
E navega como cosmonauta até às minhas entranhas
Até à borda, aos limites de mim,
Onde acende o meu peito
E transcende o meu desejo
De partir
Hoje, amanhã, e no porvir.
Olha-me! Olha-me bem,
Não com teus olhos, que são cegos,
Mas com a tua alma também quebrada
E vê, e repara!, na distância de um palmo,
Que eu sou todo estilhaço, e escombro,
e desejo de partida
E a minha alegria é pó, é poeira, é sujeira.
Olha-me bem, resto de vidro,
Pois esta noite eu me redimo
Pois desta noite… liberto-me da matéria
Como pólen largado à ventania.
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