LiteraLivre Vl. 3 - nº 17 – Set./Out. de 2019
mais uma semaninha, sofrer com cólicas, mau humor e mesmo assim, honrar
todos os compromissos da semana? Sem contar o esforço digno de uma medalha
de ouro de conseguir passar pela semana sem matar alguém. (blame it on the
hormones!) Conseguir cuidar da sua vida sem deixar de cuidar da vida — das
lições de casa, aulas de inglês, natação — dos filhos, irmãos, sobrinhos? Esfregar
um pouquinho mais na cara daquele seu colega de trabalho mala que você pode
sim, ganhar mais que ele? Ou pelo contrário, continuar ganhando menos, mesmo
fazendo um trabalho melhor, e ainda sim, continuar? E continue, até poder
esfregar seu primeiro milhão na cara dele! Foram muitos passos e sutiãs
queimados para podermos batalhar um pouco menos e usufruir um pouco mais de
toda beleza que nós, mulheres, merecemos viver. A liberdade que o nosso tempo
nos proporciona ainda é pouca para tudo que a gente já provou poder fazer.
Enquanto a revolução maior já foi iniciada há algum tempo, existe uma revolução
que nós poderíamos aprender enquanto isso. A comparação posta diante de nós é
realmente muito forte, porém, desnecessária. Uma mulher que teve uma luta
maior que a sua é sim, merecedora. Mas isso não faz com que você, enfrentando
suas mil mini batalhas por dia, não seja. Precisamos apenas entender que nosso
merecimento nunca é menor do que o das outras, porque nossa luta continua do
mesmo tamanho: grande, mas não maior do que a gente possa carregar juntas. A
todas as minhas mulheronas e a mim, que aprendo um pouquinho mais com elas
todo dia, a me tornar uma.
https://medium.com/@mariafernandaferrari
[189]