LiteraLivre Vl. 3 - nº 17 – Set./Out. de 2019
Maria Fernanda Ferrari Faria
São Paulo/SP
O pecado de se sentir umazinha
Dia desses, no trabalho, assisti a uma matéria com o título ‘’Mulheres
Inspiradoras’’. Falava sobre um projeto incrível onde uma professora de Brasília,
Gina Vieira, propunha a seus alunos de nono ano o desafio de escrever sobre
mulheres inspiradoras, a fim de ensinar um pouco para eles sobre as mulheronas
da p*rra ao redor e que às vezes, eles não enxergavam. Muitos deles escreveram
sobre suas mães, avós e demais mulheres queridas que tiveram a honra de
conhecer. Na matéria, a professora contava o quão chocante para cada uma delas
foi descobrir que eram mulheres inspiradoras. O que de fato, eram: fugiram de
casa grávidas por repressão da família, criaram os filhos sozinhas sem a chance
de terminar os estudos e mesmo assim, dando aos seus filhos a chance de terem
um futuro melhor. Esse é um dos exemplos de alguém que achava que não
merecia tal título. Vivemos em um tempo onde, felizmente, mulheres parecem ter
descoberto o valor umas das outras. Elogios, apoio, muito amor e a famosa
‘’guerra entre o mesmo sexo’’ parece estar lentamente parando de trilhar o seu
caminho. Propagar o amor por outras, nisso realmente, há belo progresso. E por
nós mesmas? Posso estar dando um exemplo bem meu, ao dizer quantas vezes já
me peguei elogiando alguém, mas tendo que me colocar pra baixo para dar mais
ênfase no elogio. Conseguir enxergar tudo que o outro é em sua essência é um
dom que podemos nascer com, ou podemos lentamente ir conseguindo com o
tempo. E o errado não está nisso. O erro está no fazermos questão de fazer todas
as demais mulheres do mundo chegarem lá em cima, ao deixarmos pisá-las nas
nossas cabeças, já baixas por nossa falta de autoestima. Todos os dias, dividimos
um pódio onde nunca estamos em primeiro lugar, simplesmente por não
conseguirmos admitir que merecemos estar. O que mais você tem que provar
para você mesma pra conseguir admitir sem culpa que você também merece se
sentir, não como nenhuma outra, mas como o mulherão que você é? Sangrar por
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