Revista LiteraLivre 17ª edição | Page 175

LiteraLivre Vl. 3 - nº 17 – Set./Out. de 2019 segundos depois, não havia mais vida, a única movimentação era do celular do paciente que seguia recebendo mensagens. O médico e toda equipe passaram aos procedimentos seguintes. Dr. Ruco, seguiu para o corredor procurando à jovem senhora que vira há pouco. Assim que o viu a mulher apertando as mãos se aproximou. — Meu marido doutor... eu o trouxe mais cedo – diz num sorriso de quem não sabe aonde quer chegar. – provavelmente ele está bravo – ela se abana e revira os olhos. – Ele tinha uma reunião hoje cedo, mas não tem passado muito bem, por isso insisti... onde ele está? Posso vê-lo? Adiantada a mulher chega a dar alguns passos seguindo pelo caminho que o médico veio, mas para quando percebe que ele não a segue. — Vamos logo doutor, também tenho coisas a fazer – novamente um abanar bobo e uma risada sem sentido – meu marido é um homem ocupado ficará nervoso se o prendermos aqui por muito tempo. — Senhora – começa dr. Ruco –, mas não há necessidade de concluir. A mulher, sem desviar os olhos do médico balbucia um não enquanto aperta a mão na boca e no segundo seguinte desaba a chorar, foi necessário medicá-la. Quando o plantão termina o médico vai para casa, no rosto o reflexo de todos os atendimentos. Apaixonadamente beija a esposa, segue para o quintal e abaixa-se quando uma garotinha corre e o abraça apertado. — Você chegou bem a tempo papai... vamos soprar as velinhas e cortar o bolo. Cadê meu presente? Ele sorri e coça a cabeça. Foi um dia daqueles e mesmo com todas as notificações de Cortana, ele simplesmente esqueceu. - E se eu lhe desse meu tempo? Por um instante a garotinha sorri e é aquele tipo de sorriso que faz um pai perceber que o tempo está passando. Não para ela que ainda tem a vida toda, mas para ele que como todos, depois de uma certa idade, lutam contra o tempo. https://www.instagram.com/magbrusarosco/ [172]