Revista LiteraLivre 17ª edição | Page 165

LiteraLivre Vl. 3 - nº 17 – Set./Out. de 2019 Luís Amorim Oeiras, Portugal O cano ilegal Na aldeia de rural ambiente, e de uma casa térrea para um terreno de cultivo vizinho, escondida corria água com o saber de ninguém, ou talvez apenas de quem fez semelhante trabalho. Aqui naturalmente extensível a quem ordenou tal empreitada em figura de dono que daquilo percebia nada no processo de fazer, bem distante da suposta pretensão final, a sua, como justificação para o discreto rio de líquido que avançava silenciosamente quando necessário ou mesmo sem justificação alguma na direcção de vizinhança pacífica. Chamado por atenção ele foi, com resposta agressiva para lá da educação que era suposto possuir. E ainda fez amuo na saída porta fora da envolvência, como quem diz, pelo caminho abaixo no virar de costas às outras pessoas e ao civismo que deveria existir no sempre. Como os feijões, salsa, couves, laranjas, favas e outros cultivos reclamavam igualmente aqui seu protesto, não poderia continuar a recepção de água suja do vizinho, e então, de queixa pronta e feita não se livraria esse sujeito, assim ficou decidido. Água continuava a descer em corrente ainda que no pontual de ocasiões, eventualmente festivas, ocultada e bem ou quiçá bastante mal, até foz de vizinhos que assim delegado resolveram chamar, «O da saúde» dizia ele a passar multa de pronto e esboçando indisfarçável trejeito de regozijo para o correio em vistosa caixa para toda a gente circulante não a dar por despercebida. O tempo passou no relógio e mais ainda no calendário e a taxa de penalização certamente no recipiente ainda dormiria pois que os legumes e fruta ainda barafustavam com a invasão líquida vinda do terreiro da casa vizinha. Alternativa final só poderia consistir em adquirir tijolos necessários, de quantidade pouca e parede fazer para ocultar, não a água pois que esta continuaria pela discrição apenas dentro da propriedade ao lado, mas sim quanto ao cano ilegal ainda a regar para o lado do cultivo, mas com seus momentos [162]