LiteraLivre Vl. 3 - nº 17 – Set./Out. de 2019
Jackson Pedro Leal
João Pessoa-PB
Guaçirana
Bem pra lá da colina, nas planícies exuberantemente verdes servidas por
igapós, várzeas, gramíneas e campos alagados, que sob a cáustica do sol
escaldante de verão e circundadas por refúgios montanhosos,
atraia-se ver
reluzente e ofuscante o nascer do sol que vislumbrava-nos os olhos a reverenciar
tamanha imponência sem igual do azul celeste lá no horizonte. Das matas
selvagens densas e quase impenetráveis a humanos, dava-se conta da existência
lendária
de
uma
velha
e
destemida
aldeia
nativa
remanescentes
dos
“UIRAÇABAS”, formadas por malocas inalcançáveis nunca contatadas por seres
civilizados, e por lá falava-se de uma tal índia “GUAÇIRANA” morena canela, de
lábios carnudos, cabelos longos escorridos bem pretinhos na cintura e olhos
verdes-lodo cintilantes. De sorriso afável e doce como favo de mel. Seu cheiro
recendia longe como a essência rara de um perfume caro. Ela era tão ágil e
vigorosa, como um guepardo a correr lancinante pelas planícies tropicais
inalcançáveis ainda pelo homem civilizado. A donzela Guaçirana se deleitava livre
na relva como as borboletas sobrevoando, insones, nas copas de flor em flor e
assim poderem exibir de forma magistral repousando o seu esplendoroso néctar.
Andava incólume pelas matas inóspitas e verdejantes onde se impunha intrépida
a sua brava tribo guerreira... E de pernas grossas bem torneadas, às vezes,
seminuas, à mostra ao ar livre no meio da mata uivante e hostil, mal podia sentir
o simples contato da pele de seus lindos pezinhos com a trina pelugem que
revestia a terra, depois de receber as primeiras gotas d'água deixadas pelas
chuvas. Quando corria pelos campos silvestres, sob a cáustica dos raios solares
refletindo sobre a sua pele dourada de pelinhos ouriçados, expunha o seu
escultural corpinho de virgem à sombra de uma figueira tão fria quanto o orvalho
cadente da madrugada. E quando dormia, pétalas insondáveis caíam como flocos
de algodão das copas das árvores sobre os cabelos negros molhados da linda
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