Revista LiteraLivre 15ª edição | Seite 191

LiteraLivre Vl. 3 - nº 15 – Mai./Jun. de 2019 — A Soraia! — faz uma pausa. — Está procrastinando. Ele não sabe mais o que fazer para acabar com isso. — Eu sabia! — diz a mulher levantando-se bruscamente. — Eu sabia! Aquela sirigaita. E você, fique longe dela! — enquanto falava apontava e balançava o dedo indicador para o marido. Casos como esses são mais comuns do que imaginamos. Tempos atrás um amigo levou exatos três minutos para pronunciar “procrastinar”. O fato de ele ser gago não tira minha responsabilidade em não tê- lo ajudado naquele triste momento emendando a continuação da palavra. Eu confesso, chegando em casa corri ao dicionário para saber que palavrão era aquele, preocupado em conhecer a doença que afligia meu amigo. Desafio os poucos que, pacientemente, leram este texto até seu quase fenecimento a repetir três vezes seguidas, em voz alta e rapidamente: — Procrastinar! Procrastinar! Procrastinar! Eu não consigo. Já tentei. Vou além, alguém já o chamou de pacóvio? Você já correu para um homizio? Já ficou rubicundo? Já defenestrou alguém? Sobre este último, não resisto, tenho que comentar. Se você atira alguém pela janela o que acha mais coerente dizer ao delegado: — Confesso, defenestrei Clotilde. ou — Confesso, atirei Clotilde pela janela. Quem optar pela primeira alternativa, creio que sua pena será aumentada em alguns anos. https://www.facebook.com\osmestresuniversais 188