LiteraLivre Vl. 3 - nº 15 – Mai./Jun. de 2019
Diante da reação de Rosecler, ou seja, nenhuma reação exceto espanto, Astolfo
corre para a porta e antes de sair diz:
— Acabou! Continue a procrastinar com o outro! — e saiu apressado batendo a
porta.
Sua mãe entra apressada na sala ainda com o pano de prato na mão. Encontra
Rosecler ainda sentada olhando para a porta fechada, boca aberta e olhos
esbugalhados.
— Quando seu pai chegar vou ter uma conversa séria com ele. Você vai para um
colégio interno! — virou as costas e voltou apressada para a cozinha.
Rosecler não respondeu, continuou sentada. Continuava de boca aberta.
Continuava com os olhos esbugalhados, mas agora acompanhava os passos da
mãe que ainda resmungava coisas ininteligíveis.
Durante os anos de convento — foi a opção do pai para parar, de vez, com a vida
lasciva da filha —, Rosecler escreveu e publicou três livros, mas nunca casou.
Outro caso, este contado por um amigo — prefiro não revelar seu nome —, cujo
casamento andava meio complicado, dizia mais ou menos o seguinte:
Atende o telefone. Sua mulher levanta a sobrancelha. Não tira os olhos da TV,
mas não vê mais nada, todos os sentidos direcionados exclusivamente à audição,
potencializando-a. Já desconfiava do marido fazia tempo.
— Hum, sei... É mesmo? Que coisa chata... Certo... Não esquenta a cabeça, isso
passa e tudo voltará ao normal.
Desliga o telefone. Fica pensativo por alguns instantes.
— Quem era? — pergunta a mulher.
— O Acrísio.
Silêncio.
— E...? – continua a mulher.
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